Início Arte e Cultura por Adriana Sorgenicht Teixeira Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

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Um dos maiores nomes do teatro brasileiro, Antunes Filho foi homenageado pelo Sesc São Paulo com uma mostra disponível por streaming. A plataforma de acervos Sesc Digital foi lançada no último 02 de maio. Nesse dia, completou-se um ano de falecimento do encenador.

Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

Na programação consta parte de seu legado à frente do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc (grupo fundado em 1982 e voltado à criação e ao desenvolvimento de um método próprio de interpretação para o ator), incluindo diversos espetáculos, na íntegra ou em trechos, que reafirmam sua criatividade e genialidade, dentre os quais A Pedra do Reino (2006), inspirado em obras de Ariano Suassuna; Foi Carmen (2008), em que uniu de forma surpreendente referências à dança japonesa butô e à cantora Carmen Miranda; Toda Nudez Será Castigada (2012), remontagem do espetáculo que celebrou os 30 anos do CPT e o centenário de Nelson Rodrigues, e Blanche (2016). Esse último, inspirado no dramaturgo norte-americano Tennessee Williams, falado na língua imaginária fonemol.

Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

Somam-se às peças os seis episódios da série O teatro Segundo Antunes Filho, co-produção do SescTV. Além de um conjunto de depoimentos inéditos e cheios de saudades de atores, atrizes e personalidades que acompanharam a trajetória desse diretor, que foi tão admirado quanto temido e amado.

Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

No total, foram mais de 60 anos de dedicação às artes cênicas. Dos quais 37 à frente do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc.

Autor de um teatro que versa sobre o ser humano e as angústias vividas pela humanidade, Antunes guiou sua criação durante toda sua trajetória por um desejo de fazer refletir e transformar. “Chega desse negócio das pessoas assistirem a uma peça e simplesmente ir comer pizza depois”, disse certa vez.

Legado cênico de Antunes Filho no Sesc Digital

“Ao homenagear Antunes Filho, convidamos o público a entrar em seu universo de criações, experimentações e parcerias. Onde a verve do fazer teatral anuncia a potência da arte como força transformadora, capaz de inspirar a formação de artistas, de públicos e de cidadãos. Que seu legado se mantenha instigante e inquietante, como Antunes Filho sempre foi”, aponta Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc em São Paulo.

A mostra seguirá sendo atualizada e disponível para consulta após a homenagem. Haverá constante incorporação de novos itens do acervo do Sesc. O acesso aos conteúdos é livre e gratuito, sem a necessidade de cadastro, em sescsp.org.br/sescdigital.

A plataforma Sesc Digital é parte do conjunto de iniciativas desenvolvidas pelo Sesc São Paulo para a continuidade de sua missão educativa em tempos de distanciamento social devido ao novo coronavírus.

Ela funciona como um espaço de descobertas na internet. Ao acessá-la, o público encontra áudios, vídeos, imagens e publicações de parte do acervo formado pela instituição ao longo de seus mais de 70 anos. Foi lançada em abril de 2020, em fase beta, e o acesso a todos os seus recursos e materiais é gratuito e irrestrito.

Sobre Antunes Filho

Um dos mais prestigiados encenadores no panorama internacional, Antunes Filho (1929-2019) criou espetáculos que veiculam todo um pensamento sobre o teatro contemporâneo e refletem uma metodologia que envolve os intérpretes no estudo da estética, da filosofia, das fontes teóricas e dos documentos históricos associados ao tema encenado.

Uma das primeiras experiências profissionais de Antunes ocorreu nos anos 1950. Ele foi assistente de direção no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), onde conviveu com encenadores estrangeiros e de onde divergiu para integrar a primeira geração de encenadores brasileiros.

Nas décadas seguintes, participou de movimentos de renovação teatral até estabelecer um grande marco das artes cênicas nacionais com a montagem de Macunaíma, nos anos 1980. Sua intensa contribuição para o desenvolvimento do teatro brasileiro se fortaleceu com a instituição do CPT – Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, em 1982, que dirigiu e coordenou até seu falecimento, em 2019.

Fontes de pesquisa – texto e imagens: Sesc SP/Centro de Pesquisa Teatral e Folha de São Paulo (foto de abertura)

Leia também a coluna anterior da mesma autora Diário da Quarentena (I) – Setilha do Tempo Bendito

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