A Disney não quer apenas contar histórias – quer fazer com que o público entre nelas. Foi com essa proposta que Matthieu Robin, creative lead da Disneyland Paris, participou do MarketHub – UNLOCKED, realizado de 23 a 26 de junho de 2026, na República Dominicana, nos hotéis Hard Rock Hotel & Casino Punta Cana e Moon Palace The Grand Punta Cana, para mostrar como a companhia transforma personagens, música e narrativa em experiências imersivas capazes de criar vínculo emocional com os visitantes.

A apresentação de Robin, precedida por um número musical inspirado em Frozen, partiu de uma ideia central: por trás de cada atração, espetáculo ou experiência da Disney há um processo criativo que busca compreender a motivação dos personagens e, a partir dela, construir jornadas com as quais o público possa se identificar. “Na Disney, nós não criamos filmes, nós criamos heróis”, afirmou.
Histórias que funcionam como espelho
Ao explicar a lógica criativa por trás das experiências da Disneyland Paris, Robin recorreu a personagens conhecidos do público para mostrar que a força das histórias da Disney está menos na fantasia em si e mais nos conflitos humanos que elas representam. Segundo ele, o que torna essas narrativas duradouras é a capacidade de refletir questões universais, como identidade, pertencimento, coragem e transformação.
Foi assim que ele apresentou exemplos como Alice, Elsa, Moana e Simba. No caso de Alice, Robin destacou a personagem como alguém que usa a imaginação para escapar da rigidez do mundo real e encontrar um espaço de liberdade. Já Elsa aparece como símbolo de alguém que se sente deslocado e precisa enfrentar o medo de se mostrar ao mundo. “Ela teve a coragem de revelar quem era”, resumiu.
Moana, por sua vez, foi usada como exemplo de uma personagem que rompe expectativas para seguir o próprio chamado, enquanto Simba representa a jornada de quem precisa se reconectar com sua identidade. Para Robin, essas histórias permanecem relevantes porque falam, no fundo, sobre dilemas comuns à experiência humana. “No final, é sempre sobre nós. Sobre medos, sonhos e sobre encontrar o próprio lugar”, afirmou.

Da observação ao mergulho na história
Robin explicou que essa leitura narrativa orienta o desenvolvimento de shows, desfiles, experiências noturnas e áreas temáticas nos parques. O objetivo, segundo ele, é fazer com que o visitante deixe de ser apenas espectador para se tornar parte da história. “As pessoas não chegam aos nossos destinos apenas para ver alguma coisa. Elas chegam porque se tornam os heróis de suas próprias histórias”, disse.
Esse conceito, de acordo com o executivo, está no centro da transformação em curso na Disneyland Paris. Durante anos, a Disney concebeu o parque Walt Disney Studios como um espaço voltado à magia da produção cinematográfica. Com a mudança de comportamento do consumidor, no entanto, a estratégia também mudou. “Os visitantes não queriam mais ver como os filmes eram feitos. Eles queriam estar dentro deles”, afirmou Robin.
Foi a partir dessa percepção que surgiu a transformação do parque em Disney Adventure World, uma mudança que, segundo ele, reposiciona a experiência do visitante. Em vez de apenas observar cenários e referências, o público passa a ocupar o centro da narrativa, participando de celebrações, interagindo com personagens e vivenciando o ambiente de forma mais ativa.
Música como linguagem universal
Entre os elementos que sustentam essa imersão, Robin deu destaque especial à música. Em um destino como a Disneyland Paris, que recebe visitantes de diferentes nacionalidades, o recurso funciona como uma linguagem capaz de ultrapassar barreiras culturais e linguísticas. “A música vai além da língua. Ela é física, é imediata, você pode senti-la. Ela fala diretamente com as emoções”, disse.
Na prática, isso significa que a música não aparece apenas como trilha, mas como parte da construção da experiência. Ela ajuda a conduzir a narrativa, reforça a ambientação e cria um terreno comum para públicos com repertórios e idiomas diferentes. Na visão do executivo, é justamente essa combinação entre emoção, identificação e participação que sustenta a proposta da Disney de ampliar a imersão sem perder a força das histórias originais.

Expansão da imersão como estratégia
Robin também situou a transformação da Disneyland Paris dentro de um movimento mais amplo da Disney em seus destinos ao redor do mundo. Ele citou novos projetos e expansões em outros parques, com experiências inspiradas em franquias como Monsters, Inc. e Avatar, como parte de uma estratégia global de aprofundar o contato entre visitante e narrativa.
Segundo ele, a pergunta que orienta esse processo é sempre a mesma: como ajudar o público a ir além das histórias que já conhece? A resposta, na visão da Disney, passa por criar ambientes em que o visitante possa atravessar a fronteira entre assistir e viver a narrativa.
Ao levar essa discussão ao palco do MarketHub, Robin reforçou que, para a Disney, o entretenimento tem sido cada vez mais pensado como experiência. Não se trata apenas de apresentar personagens consagrados, mas de construir espaços em que o visitante possa se reconhecer, se emocionar e, por algumas horas, sentir que também faz parte da história.




