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Grupo PGA usa estreia na B3 para ampliar fontes de capital em expansão hoteleira no Nordeste

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A expansão da hotelaria no Nordeste começa a incorporar uma fonte de recursos ainda pouco utilizada por empresas regionais do setor. O Grupo PGA, sediado em Ipojuca, Pernambuco, celebrou nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, sua primeira emissão no mercado de capitais, uma captação de R$ 25 milhões por notas comerciais.

Grupo PGA usa estreia na B3 para ampliar fontes de capital em expansão hoteleira no Nordeste
Comemoração na Bolsa de Valores de São Paulo

A operação foi realizada no primeiro semestre pelo Regime Fácil e teve o Itaú Empresas como assessor na definição estratégica e na estruturação. Para a companhia, a emissão adiciona dívida corporativa às alternativas disponíveis para financiar uma carteira de expansão que envolve desenvolvimento, construção e operação de empreendimentos hoteleiros.

O ponto estabelecido pela administração é que o capital está relacionado ao pipeline de expansão, e não exclusivamente a um hotel. Os recursos podem acompanhar etapas que incluem projetos, aprovações, desenvolvimento, implantação, obras, equipamentos, mobiliário e preparação para abertura, segundo Tarcysio Malheiros, CEO da Fábrica de Hotéis.

A distinção ganha importância porque a Fábrica de Hotéis mantém com a Marriott International um plano de desenvolvimento de 30 unidades City Express by Marriott no Nordeste, com mais de R$ 1 bilhão em investimentos previstos ao longo de 15 anos. Não foi informado quanto da nova emissão será direcionado especificamente a esses empreendimentos.

Hotelaria começa a dialogar com outro perfil de capital

A entrada da PGA no mercado de capitais coincidiu com uma discussão sobre uma mudança mais ampla na maneira como investidores brasileiros se relacionam com a hotelaria.

Questionado durante a coletiva de imprensa na B3 sobre o perfil desse investidor, Paulo Mancio, vice-presidente de Desenvolvimento da Marriott International no Brasil, disse enxergar uma transição. “É um investidor muito mais qualificado, é um investidor muito mais especializado nisso”, afirmou Mancio.

A diferença, segundo ele, não se resume à disponibilidade de capital. O investidor também passa a olhar para a permanência no negócio. “É muito importante para o hotel que nós tenhamos um investidor também que fique no negócio, que continue operando”, disse.

Essa característica altera a relação tradicional entre hotelaria e desenvolvimento imobiliário. Em vez de uma lógica concentrada na implantação e posterior saída do ativo, o modelo descrito por Mancio pressupõe investidores capazes de compreender uma operação de prazo mais longo.

Para um setor que exige capital desde a aprovação de projetos até a abertura das unidades, instrumentos de dívida podem ampliar as possibilidades de financiamento sem exigir que o empreendedor venda participação acionária.

Grupo PGA usa estreia na B3 para ampliar fontes de capital em expansão hoteleira no Nordeste
Da esquerda para a direita: Eduardo Malheiros, diretor do The Westin Porto de Galinhas e do Grupo PGA; Paulo Mancio, vice-presidente de Desenvolvimento no Brasil da Marriott International; Laurent de Kousemaeker, Chief Development Officer para Caribe e América Latina da Marriott International; Brenda Durham, vice-presidente sênior e conselheira jurídica regional para Caribe e América Latina da Marriott International; e Bojan Kumer, vice-presidente regional de Desenvolvimento Hoteleiro para Caribe e América do Sul da Marriott International.

Regime Fácil reduz barreira de entrada

A emissão da PGA foi realizada pelo Regime Fácil, em vigor desde 16 de março de 2026. O modelo é destinado a companhias com faturamento bruto anual inferior a R$ 500 milhões e simplifica procedimentos para acesso ao mercado de capitais.

A PGA tornou-se a quarta companhia a emitir dívida pelas novas regras. As quatro operações realizadas somavam R$ 149 milhões, divididos entre três emissões de notas comerciais e uma de debêntures.

As empresas pertencem a setores distintos — tecnologia, mídia Out of Home, administração de hotéis e cosméticos — indicando que o mecanismo começa a ser utilizado por negócios com diferentes necessidades de capital.

Notas comerciais podem ser adquiridas por pessoas físicas, pessoas jurídicas, fundos de investimento e instituições financeiras. Para a PGA, trata-se de dívida: quem aporta recursos não adquire participação societária na companhia.

Escala muda a relação com a Marriott

O acesso a uma nova fonte de financiamento acontece enquanto a relação dos Malheiros com a Marriott passa de projetos individuais para uma estratégia de escala regional.

“A parceria com a Marriott é uma parceria que eu diria para a vida toda. A gente escolheu a Marriott, a Marriott nos escolheu e a gente honra muito essa parceria”, afirmou Eduardo Malheiros, diretor do Grupo PGA.

A importância atribuída pela Marriott ao relacionamento também apareceu na composição da delegação presente na B3. Além de Mancio, estiveram no evento executivos da liderança regional, incluindo Laurent de Kousemaeker, Chief Development Officer para Caribe e América Latina, Bojan Kumer, vice-presidente regional de Desenvolvimento Hoteleiro para o Caribe e a América Latina da Marriott International, e Brenda Durham, vice-presidente sênior e conselheira jurídica regional para o Caribe e a América Latina da companhia.

Mancio afirmou que a presença e a expansão no Brasil foram definidas como um dos pilares estratégicos da Marriott e colocou PGA, Fábrica de Hotéis e família Malheiros entre os parceiros mais relevantes da companhia no país.

City Express amplia presença regional

A principal frente de escala está na City Express by Marriott, bandeira midscale destinada a atender demandas corporativas e de lazer.

O plano prevê 30 hotéis no Nordeste em 15 anos e investimentos superiores a R$ 1 bilhão. Após anunciar sete contratos em 2025, a empresa acrescentou três novos acordos em março de 2026, elevando para dez o número de unidades contratadas.

Suape, Porto de Galinhas, Cabo de Santo Agostinho, Recife, Fortaleza e Natal estão entre os destinos já divulgados. As primeiras aberturas são previstas para 2027, em Suape e Porto de Galinhas. A unidade de Natal tem previsão para 2028.

Em Suape, o hotel integrará o Latitude Suape, no Complexo Industrial Portuário, em um projeto que também contempla uma torre comercial e um mall. O investimento divulgado para o City Express local é de R$ 60 milhões. No Recife, outro projeto prevê 200 apartamentos.

A estratégia combina destinos turísticos consolidados com mercados de demanda corporativa, ampliando o campo de atuação para além da hotelaria de alto padrão que já faz parte da trajetória dos parceiros.

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Os envolvidos na conquista, Marriott Internacional, PGA, Fábrica de Hotéis e Itaú

Westin foi laboratório para a parceria

A relação com uma bandeira internacional começou antes da expansão da City Express.

Tarcysio Malheiros contou que a empresa começou a preparar, em 2016, o empreendimento que posteriormente se tornaria o The Westin Porto de Galinhas para atender aos padrões de uma rede internacional, mesmo antes de definir a bandeira. “Foi um sonho que a gente teve lá em 2016”, afirmou.

O desenvolvimento atravessou inclusive o período da pandemia até chegar à operação sob a marca Westin. A experiência tornou-se uma base para a ampliação posterior da relação com a Marriott.

Agora, enquanto os projetos City Express avançam, o hotel em Porto de Galinhas passa por uma nova rodada de investimentos.

Operação existente também recebe capital

Eduardo Malheiros afirmou que a empresa investirá mais de R$ 30 milhões em novidades e inaugurará, em setembro, um rooftop, Club Lounge, restaurante, bar e terraço.

O grupo pretende ainda buscar reconhecimento gastronômico para o novo restaurante. “Vamos buscar uma estrela Michelin. Vamos trabalhar para isso”, afirmou Malheiros.

O investimento reflete uma estratégia paralela à expansão geográfica: aumentar a capacidade de atrair hóspedes recorrentes e elevar o gasto dentro dos empreendimentos existentes. “Hotelaria é dinâmica. Você não pode ter nenhum momento que fique parado no tempo e espere a coisa acontecer”, disse.

IA passa da discussão para a operação

A busca por eficiência também levou inteligência artificial para dentro do hotel. Segundo Eduardo Malheiros, a companhia já estruturou uma área dedicada à tecnologia. “Estamos trabalhando com a IA dentro do hotel. A gente tem um departamento de IA dentro do hotel”, afirmou.

O executivo relacionou a tecnologia à necessidade de renovação contínua da experiência, especialmente em um empreendimento com hóspedes que retornam diversas vezes.

Sustentabilidade também aparece como parte dessa estratégia operacional. Malheiros afirmou que o trabalho envolve meio ambiente, funcionários, comunidades e o entorno do hotel. “O pilar de sustentabilidade é um fator importante”, disse.

Distribuição internacional amplia mercado

A associação com uma rede global também começa a interferir no perfil da demanda.

Ana Helena Malheiros, diretora comercial, afirmou que a companhia vem ampliando sua atuação no mercado europeu, com participação relevante de portugueses, e relacionou o movimento tanto à conectividade aérea de Recife quanto ao alcance internacional proporcionado pela Marriott. “A gente tem ampliado bastante o mercado”, disse a executiva.

A expansão para hóspedes estrangeiros, o crescimento da City Express e os investimentos no Westin colocam diferentes modelos de hotelaria dentro de uma mesma estratégia regional.

A captação de R$ 25 milhões não financia sozinha essa expansão — o plano anunciado para a City Express supera R$ 1 bilhão —, mas acrescenta um instrumento que até agora não fazia parte da estrutura financeira do Grupo PGA.

O alcance dessa mudança dependerá de como a companhia utilizará o mercado de capitais depois da primeira emissão. A empresa não informou novas captações nem revelou as condições financeiras das notas comerciais. O passo dado na B3, porém, insere a dívida de mercado em uma estratégia que, até aqui, vinha sendo contada principalmente pelo número de hotéis, novas bandeiras e destinos.

Texto: Mary de Aquino
Fotos: Cris Humeki
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