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Gerenciar emoções é a habilidade dos profissionais do futuro

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A pandemia ainda não ficou para trás, mas pouco a pouco começamos a ver, no Brasil e no mundo, atividades profissionais sendo retomadas. Nada perto do que tínhamos antes, mas a retomada de muitos setores está em pleno desenvolvimento. Olhando os últimos cinco meses, o que aprendemos?

Uma pesquisa realizada pela TEÓ Pensamento Sistêmico e a consultora Selma Fukushima em abril deste ano, com mais de 50 profissionais que trabalham em organizações apontou que a habilidade de gerenciar emoções não é só essencial para o momento presente, mas principalmente para se sustentar no futuro incerto que temos vivenciado nos últimos anos, e que foi potencializado pela Covid-19.

Enquanto o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) acontecia, muitos nem se davam conta de suas emoções. Elas surgiam e rapidamente passavam – ou pior, eram negligenciadas.

Fomos treinados a não sentir. Fomos treinados a realizar, fazer, fazer e fazer.

A Covid-19 intimou todos a se depararem com suas próprias emoções que, antes, eram ignoradas. Os infinitos papéis que exercemos no cotidiano – pai, mãe, profissionais, líder, funcionário, mestre cuca, professora, faxineira – disputam atenção com a paciência, a raiva, a tolerância a preguiça, a carência a paixão, o prazer. Trata-se de um esquema complexo nem sempre fácil de administrar.

Emoções surgem a partir do que pensamos e podem estar atualizadas com nosso enredo atual, ou emaranhado com alguma história do passado. Independente do tempo que elas se formaram em nosso dicionário emocional, elas geram ações e moldam relacionamentos.

E como em tempos tão incertos gerenciar emoções?

Já aviso que não controlamos as emoções, nem ao menos conseguimos evitá-las, mas é possível liderá-las, cuidando da qualidade de pensamentos que temos e cuidando a forma como reagimos quando elas surgem. Ou seja, é possível gerenciar a forma como lidamos com elas.

Uma grande parte das pessoas refugam com as emoções deslocando-as para o trabalho, para a comida, para a bebida, para o trânsito. Deslocamentos que não contribuem para a saúde.

Na quarentena, sem ter para onde fugir e com as opções de deslocamento das emoções reduzidas (compulsão e obsessão), nos deparamos com elas e não sabemos muito o que fazer. E é aí, que as relações começam a perder qualidade, empatia e se esvaem.

Ainda hoje, o mundo corporativo não permite espaço para a expressão emocional. Fraco, sensível, chorão são alguns dos rótulos para qualquer expressão de tristeza, angústia ou medo nos corredores e salas das empresas. Fomos acostumados a vestir nossa máscara e personagem empresarial e refrear sentimentos genuínos.

Porém, em tempos de quarentena, os ambiente profissionais se tornou o seu lar. O uniforme corporativo mudou. Não é mais possível esconder as emoções que emergem.

Tudo isso se intensifica para quem assume uma posição de liderança. Porque se indivíduos não sabem como lidar com as próprias emoções, quiçá lidar com as emoções de nossos colegas e equipe.

Ignorar que estamos vivendo em meio ao caos e que essa experiência não gera insegurança, ansiedade e muitos outros sentimentos não é o caminho para termos relações de confiança.

O caminho para iniciar a jornada da saúde emocional é trazer para a consciência nosso sentir e aumentar nosso repertório emocional, que é escasso, pois fomos treinados para uma vida toda sem olhar para isso e partir para o fazer.

O ambiente corporativo é co-responsável pela saúde emocional de seus colaboradores e os líderes devem conduzir conversas corajosas sobre o que estamos passando.

Listo aqui algumas sugestões de rituais para criar um ambiente empático e que fortaleça as relações em prol de uma produtividade saudável: fazer reuniões semanais com a equipe, sem tema definido, é uma forma de incentivar diálogos mais profundos; a flexibilização do horário de trabalho contribui para um ambiente mais saudável; respeitar a rotina do próximo é um lembrete válido; pratique a comunicação não violeta; seja claro e transparente na mensagem.

Lembre-se, pessoas se conectam com pessoas. Durante a pandemia, mesmo em um cenário de retomada como o que começamos a viver, a tempestade pode ser a mesma para todos, mas os barcos são diferentes. Como você quer ser lembrado pelas pessoas próximas a você?

Artigo de Monica Teófilo, psicóloga, mestranda, psicodramatista, consteladora sistêmica e co-fundadora da Fator Diversidade, consultoria que une ciência e arte para o desenvolvimento de ambientes corporativos diversos e inclusivos
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