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Na mira do trade: o visitante e o turismo interno

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Tempos de pandemia, novas estratégias para atrair o visitante com segurança e a importância do turismo para os municípios foram pautas de dois painéis com convidados, representantes do trade e prefeitos de cidades destino.

No contexto da cadeia produtiva, a diretora executiva Carol Negri, do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat), Carol Negri, vê o seu segmento como peça-chave para o turismo de lazer e familiar.

Na mira do trade: o visitante e o turismo interno
Carol Negri, do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat)

“Esses empreendimentos são agentes motivadores de viagens para determinados destinos. Em 2019, o Brasil movimentou mais de 55 milhões de visitantes, gerou mais de 130 mil empregos diretos e indiretos, e injetou na economia mais de R$ 5 bilhões. Nosso setor, nos últimos anos, apresentou crescimento depois de uma batalha de duas décadas, porque a nossa associação, com o apoio do Ministério do Turismo, conseguiu zerar o imposto de importação para os equipamentos dos empreendimentos. Em termos de atrações, o Brasil não produz nada e isso inviabilizava a renovação constante dos parques. Essa isenção, de 20%, foi obtida no final de 2019 e começou a valer a partir deste ano”, explicou.

Com a chegada da pandemia, Carol revelou que o Sindepat se uniu com outras entidades de classe para assim fortalecer seus pleitos junto ao governo federal, no sentido de conseguir ajuda para a retomada do turismo.

“Desde o início da crise, muitos parques fecharam e outros começam a reabrir, após seis meses sem receita e, em alguns empreendimentos, com quadro de colaboradores tem torno de 400 a 600 pessoas. É uma situação complicada, em função da saúde pública, mas os empresários seguem na luta para manter o seu negócio e a folha de pagamento”, afirmou a diretora executiva Carol Negri, do Sindepat.

Sobre os protocolos, ela salientou que, no início de maio, o Sindepat e a Adibra, com respaldo da IAAPA, desenvolveram normas rígidas, inspiradas nas operações dos grandes parques de fora do País. “Estamos prontos para receber o visitante com segurança e confiantes no turismo doméstico.”

Na mira do trade: o visitante e o turismo interno
Patty Leone, apresentadora do programa Patty Leone Top Travels

Para compor o painel Em tempos de pandemia, como estimular o turista com segurança, também estavam presentes Patty Leone, produtora de Conteúdo para Youtube e apresentadora do programa Patty Leone Top Travels, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, e José Roberto Maluf, presidente da TV Cultura.

O empresário da comunicação, munido de dados sobre o turismo nacional, mostrou o quanto o setor foi afetado pela pandemia. “De março até julho, 90% do faturamento das empresas foi perdido e 91% das viagens canceladas. Quase 30% do setor precisaram de crédito governamental e muitas empresas fecharam. A partir desse quadro, a Fundação Getúlio Vargas, estimou as perdas em cerca de R$ 161 bilhões só para a área do turismo.”

Mesmo diante desse fato, ele disse começou haver, ainda neste ano, uma expectativa com o aumento da procura por viagens, mesmo sendo para destinos nacionais.

“É importante lembrar que a volta do turismo acontecerá dentro de outro contexto. É fundamental que aqueles que trabalham no setor estejam preparados para atender uma demanda bem diferente das anteriores. A questão não vai ser só como reativar o setor econômico vital para tantos países, mas como isso será feito. Teremos que ir além da melhoria dos serviços porque, certamente, o visitante será mais exigentes com higiene e limpeza dos ambientes. Para atrair esse novo turista, as empresas precisam melhorar, e muito, a sua comunicação, mostrando assim o que foi feito em segurança, melhoria de serviços e demais protocolos para garantir a tranquilidade do visitante”, afirmou o empresário.

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José Roberto Maluf, presidente da TV Cultura

Ainda sobre a postura dos profissionais do turismo, Maluf informou que os mais especializados já têm alguns dados sobre quem será esse “novo turista” e quem serão os primeiros beneficiados.

“Preferência por destinos próximos, porque as viagens domésticas serão a tendência, por alguns anos, na medida em que o visitante sintam-se bem mais protegido e corre menos riscos quando está próximo de casa. Dessa forma, isso vai beneficiar locadoras de veículos, distribuidoras de combustível, hotéis, entre outros. Em segundo, as viagens serão muito mais de lazer do que de negócios. As reuniões de grandes empresas vão diminuir. Não sei se vão acabar, mas o trabalho remoto será muito mais importante do que era, até então, e chegou muito tempo antes do que se imaginava por causa da pandemia”, afirmou.

“Por fim, a procura por mais espaço com menos gente, atividades ao ar livre, em meio à natureza ou locais isolados, onde não é preciso se preocupar com distanciamento social. Em linhas gerais, o conhecimento desse chamado novo turista, permite que o setor invista na promoção de seus produtos através de um plano global diante de uma política de comunicação que deve certamente ser desenvolvida pelas empresas públicas e privadas”, disse.

Maluf ressaltou ainda que “o turismo é uma rica e complexa indústria que se relaciona com todos os setores da economia e da cultura, e é também uma experiência social que envolve pessoas que se deslocam em busca de suas necessidades e seus sonhos. No mundo virtual, as redes sociais são, hoje, uma das principais ferramentas de promoção do turismo no Brasil. E mesmo com o mercado andando devagar, é preciso manter uma comunicação ativa, para assim conseguir compreender as demandas do visitante”.

Turismo municipal

A importância do turismo para o município esteve na programação do Fórum Brasileiro de Turismo e para tratar do assunto convocou os prefeitos Bruno Covas (São Paulo), Válter Suman (Guarujá), Antônio Carlos Magalhães Neto (Salvador) e João Alfredo de Castilhos Bertolucci (Gramado).

Para Covas, o setor de turismo é um dos mais afetados por conta da pandemia, de nível global, da qual a capital paulista é o epicentro da América Latina.

Bruno Covas, prefeito de São Paulo

“A cidade de São Paulo sempre teve um segmento de turismo de negócios muito forte, representando algo em torno de R$ 305 bilhões de movimentação, e ao longo dos últimos anos vem se destacando e participando do setor de turismo e entretenimento, com a parada LGBTQI+, a Fórmula 1, a virada cultural e tantos outros eventos que acontecem aqui. A prefeitura está à disposição para, em conjunto com o setor, encontrar os meios mais rápidos para a sua retomada. O turismo representa cerca de 3,5% do PIB brasileiro e mais de 9% do PIB paulista. Portanto, é um importante gerador de emprego e renda para nossa população”, disse Covas.

Diretamente da Bahia, ACM Neto falou que a indústria do turismo pode ser utilizada como instrumento estratégico de recuperação econômica do País e das cidades que estão diretamente vinculadas ao setor.

Antônio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador

“Todos sabem da importância do turismo para Salvador, que são as praias, a alta estação, a cultura, gastronomia, história, religião e de negócios. Este ano, nossa expectativa era a melhor possível, mas mesmo com a pandemia nós não ficamos parados. Procuramos dialogar com as principais instituições, empresas e associações para que as ações públicas, o apoio e as medidas de superação à crise pudessem refletir a realidade do mercado e os desafios para uma cidade que precisa se fortalecer a partir da pandemia”, afirmou.

“Constatamos que a natureza da atração de Salvador está ligada à aglomeração, porque somos reconhecidos no Brasil como a capital dos grandes eventos e das grandes festas. Por conta disso, vamos ter que mudar a nossa estratégia de como vender a cidade. Tudo para se adaptar a esse novo normal, com uma cidade que quer ser segura para o visitante. E nesse sentido, estamos lançando um selo de certificação sanitária para os principais equipamentos da indústria de serviços vinculada ao setor de turismo. Assim, teremos dois selos, um municipal e outro internacional, para certificar que o estabelecimento atende aos mais elevados padrões e protocolos de segurança”, revelou.

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