A aviação de negócios brasileira consolidou sua entrada em uma nova etapa de maturidade e de forte crescimento operacional. O balanço do setor, apresentado pela Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG) na 21ª edição da LABACE (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), realizada de 4 a 6 de agosto de 2026 no Aeroporto Campo de Marte, reflete a alta procura por eficiência e conectividade no País.

A feira encerrou com o recorde de 17.200 visitantes (alta de 23% ante os 14 mil em 2025) e movimentou cerca de US$ 200 milhões em negócios, superando os US$ 150 milhões registrados na edição anterior.
Crescimento da frota e modais estratégicos
O Brasil detém a segunda maior frota de aviação geral do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O país contabiliza cerca de 18 mil aeronaves com certificado de aeronavegabilidade ativo, das quais 11.362 a 11.375 pertencem à aviação de negócios, mantendo uma média de adição de 600 a 650 novas máquinas por ano.
A expansão da frota entre maio de 2025 e maio de 2026 foi de 8,5% no setor geral de negócios, impulsionada por diferentes segmentos:
- Jatos executivos: registraram forte crescimento de 12,5% (saltando de 1.060 para 1.193 aeronaves).
- Turboélices: tiveram avanço de 7,6% no setor geral e de 11,1% na aviação agrícola.
- Helicópteros: alta de 7,1% nos modelos a turbina e salto de 18,2% nos modelos a pistão aplicados ao agronegócio.
- Táxi-Aéreo: frota cresceu 5,6% em 12 meses, passando de 700 para 739 aeronaves operacionais.
- Aviação Agrícola: subiu 3,67%, somando 2.172 aeronaves operacionais.
“Quando o operador passa a investir em aeronaves mais complexas e de maior valor agregado, isso demonstra um processo de amadurecimento. A expansão do setor impulsiona investimentos em manutenção, peças, hangares, aeroportos privados, condomínios aeronáuticos e treinamento, fortalecendo todo o ecossistema”, destaca Flávio Pires, CEO da ABAG.

Conectividade regional e impacto econômico
A aviação de negócios firma-se como vetor de desenvolvimento em regiões desprovidas de infraestrutura convencional. Enquanto a aviação comercial atende a cerca de 140 a 147 aeroportos no país, a aviação de negócios e o táxi-aéreo alcançam mais de 5.500 municípios.
A intensidade das operações acompanha a expansão da frota: após registrar 1 milhão de pousos e decolagens nos 100 principais aeroportos do país em 2025, a projeção da ABAG é atingir 1,2 milhão de operações em 2026. Além disso, ganham tração modelos como a propriedade compartilhada de aeronaves, regulamentada pela Anac, que permite a divisão de cotas de usoentre os proprietários.
Desafios estruturais e LABACE 2027
O setor ainda enfrenta desafios, como a alta carga tributária incidente sobre a importação de aeronaves e peças, o que encarece o ativo no mercado interno e prejudica sua posterior exportação. Apesar disso, a rede técnica nacional de manutenção, distribuição de peças e suporte logístico tem garantido a sustentação da frota em operação.
O otimismo do mercado resultou no início antecipado da reserva de espaços para o ano seguinte. A organização confirmou que a LABACE 2027 será realizada entre os dias 3 e 5 de agosto de 2027, no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.
Indicadores e comparativo da LABACE
| Indicador | LABACE 2025 | LABACE 2026 | Crescimento / Variação |
| Público Visitante | 14.000 pessoas | 17.200 pessoas | +23,0% |
| Volume de Negócios | US$ 150 milhões | ~US$ 200 milhões | +33,3% |




