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A busca de uma mulher pelo autoconhecimento

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Em “Entre Cabul e a Dança das Borboletas”, a escritora paulistana Karina Manasseh une viagens, gastronomia, romance, autoconhecimento e aventura para contar a história de Maria, uma diplomata inquieta que na busca pelo desapego total se perde entre dois caminhos.

Cabul, Afeganistão, princípio do século XXI: um sonho possível ou uma promessa de fuga? Ou uma busca pelo autoconhecimento. Para Maria, personagem principal da obra publicada pela editora Edite, a cidade exótica é promessa de liberdade. Mas talvez o preço seja alto demais.

A obra, escrita pela paulistana Karina Manasseh, conta a história de Maria, uma diplomata que, após sofrer um trauma familiar, deixa o Brasil e passa a viver sem fincar raízes ou se permitir ao apego emocional em frequentes viagens pelo mundo.

Durante as viagens, Maria conhece um homem pelo qual se apaixona. O encontro a faz revisitar as razões que a levaram a deixar para trás a bagagem emocional familiar e questionar escolhas e modo de vida.

João é advogado de uma empresa multinacional, casado e com dois filhos pequenos. Ele administra uma vida estável em São Paulo com as viagens pelo mundo a serviço da empresa.

O surpreendente encontro desses personagens e o romance que se segue dão o pano de fundo para embalar a história de autoconhecimento de Maria.

Apesar das rotinas de aeroportos parecidas e o interesse mútuo por novas culturas e experiências, Maria e João possuem estilos de vida diferentes.

A busca de uma mulher pelo autoconhecimento
A escritora paulistana Karina Manasseh

Os dois anos de encontros dos protagonistas misturam dois tipos de rotas de viagem opostas. Uma mais turística devido ao romance. E outra mais realista e séria devido ao trabalho de Maria, que inclui Cabul, Beirute, Islamabad ou La Paz.

É nas viagens da protagonista que o leitor se aproxima do enredo proposto pela autora. Principalmente, quando Maria está em Cabul, no deserto do Thar e na Bolívia.

O conteúdo histórico destes momentos, misturado ao contexto de cada local e ao romance vivido pelos personagens, torna a obra fascinante.

A descrição das pessoas, países, culturas e comidas desperta o interesse do público. Além de descrever o romance, o livro trata de História, turismo, política e gastronomia.

“Talvez pela velocidade com que se cruza o planeta hoje em dia, com aviões indo e vindo, meu espírito não acompanhava o deslocamento do meu corpo. Era como se o meu corpo estivesse em Cabul, naquele quarto simples cheirando a óleo diesel, enquanto meu espírito tivesse ficado em Washington…” pág. 14.

A impossibilidade do relacionamento, a solidão dos hotéis, os desencontros do casal pelo mundo e a espera pelos momentos de união são elementos carinhosamente dosados pela autora.

A intertextualidade usada por Karina é um dos detalhes mais lindos da obra: sempre há uma música ou um trecho literário citado que enriquece o clima de romance e descobertas.

Por se tratar de um caso entre duas pessoas que possuem interesses em comum e vidas inteiramente distintas, o romance de Maria e João se desenvolve dentro de um realismo dolorido.

Por sentir-se presa entre dois mundos, Maria procura se reinventar longe de todas as amarras e parte para Cabul. Com um desfecho dramático e surpreendente, a personagem percebe, finalmente, a inviabilidade de fugir de si mesma e da sua história.

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