Durante sua participação no MarketHub: UNLOCKED, realizado na República Dominicana, Olivier Ponti, Director of Market Intelligence & Insights da Amadeus, apresentou uma leitura abrangente sobre o cenário global das viagens e destacou um ponto central para o setor: a regionalização do turismo está redesenhando o mapa das oportunidades. Em sua análise, América do Sul e Caribe aparecem entre as regiões mais promissoras para os próximos meses, impulsionadas pela conectividade, pela demanda crescente e pela capacidade de atrair viajantes de maior valor.

O MarketHub: UNLOCKED aconteceu de 23 a 26 de junho de 2026, na República Dominicana, nos hotéis Hard Rock Hotel & Casino Punta Cana e Moon Palace The Grand Punta Cana.
Uma indústria guiada por dados
Ao abrir a apresentação, Ponti reforçou o papel da inteligência de mercado para a tomada de decisão em um setor cada vez mais pressionado por velocidade, competitividade e transformação. Segundo ele, o objetivo é simples: transformar informação em ação concreta para o negócio. “O sucesso é sair desta apresentação com pelo menos uma boa ideia que possa ser aplicada nas suas atividades”, afirmou.
Representando a Amadeus, empresa de tecnologia para o setor de viagens, o executivo explicou que a companhia opera no centro da infraestrutura do turismo. Por isso, consegue observar o comportamento da indústria sob diferentes ângulos. A análise reúne dados de oferta, demanda, buscas, destinos, permanência e preferências dos viajantes, permitindo construir uma visão mais precisa sobre os próximos seis a 12 meses.

Capacidade aérea segue em alta
Um dos primeiros sinais destacados por Ponti foi o avanço da capacidade aérea global, apesar das turbulências geopolíticas e operacionais enfrentadas pela indústria. Segundo ele, o crescimento ficou abaixo do inicialmente projetado, mas ainda assim aponta para uma trajetória positiva. “Ao invés de todos os desafios que a indústria tem enfrentado, a capacidade tem aumentado”, disse.
A leitura da Amadeus indica que praticamente todas as regiões do mundo vêm registrando expansão, com perspectiva de aceleração ao longo dos próximos seis meses. Para o executivo, esse movimento ajuda a sustentar a retomada e oferece uma base importante para o planejamento de destinos, companhias e distribuidores.
Regionalização muda o eixo das viagens
Na avaliação de Ponti, um dos movimentos mais relevantes do momento é a consolidação da regionalização das viagens. Em vez de depender exclusivamente de fluxos intercontinentais, os mercados têm fortalecido conexões dentro de suas próprias regiões. Isso cria novas possibilidades de crescimento e colaboração.
Ao detalhar esse comportamento, ele destacou que América do Sul e Caribe têm espaço para trabalhar de forma mais integrada. Eles podem aproveitar o aumento da conectividade e o fortalecimento de mercados emissores dentro do próprio continente. A lógica, segundo o executivo, é clara: entender de onde virá o fluxo e como cada destino pode se posicionar para capturá-lo com mais eficiência.

Oportunidade para destinos latino-americanos
Entre os mercados com melhor perspectiva, Ponti chamou atenção para o crescimento esperado na América do Sul e para o potencial do Caribe como protagonista da nova dinâmica regional. Ele observou que a região já superou uma fase de reequilíbrio e começa a entrar em um novo ciclo, com mais capacidade de tração própria. “O Caribe chegou a um momento-chave”, afirmou.
O executivo também destacou que o business dos próximos seis meses tende a vir, principalmente, da própria região. O protagonismo deve ser dos mercados latino-americanos e de alguns emissores estratégicos fora dela. A leitura reforça a importância de destinos e empresas deixarem de olhar apenas para mercados tradicionais e passarem a investir em uma combinação mais inteligente entre proximidade geográfica, conectividade e perfil de consumo.
O avanço do viajante premium
Outro ponto importante da apresentação foi o crescimento mais acelerado do segmento premium em comparação ao econômico. Para Ponti, isso mostra que há espaço para uma estratégia mais refinada de segmentação. Especialmente, em destinos que querem elevar ticket médio, diversificar oferta e melhorar rentabilidade.
Ele também destacou que a composição dos fluxos varia bastante de acordo com a origem do viajante, o tipo de destino e o perfil da viagem. Em alguns mercados, há maior presença de grupos; em outros, predominam viajantes individuais. A idade média, a antecedência da compra e a flexibilidade na escolha do destino também mudam de forma significativa. “Se você não tem uma estratégia para a Ásia, talvez deva começar a pensar nisso”, observou, ao comentar o peso crescente de mercados asiáticos em determinadas rotas e perfis de consumo.
Dados como ferramenta de conversão
Para Ponti, entender quando o viajante pesquisa, com quanto tempo de antecedência reserva e quais mercados convertem melhor em valor é hoje uma vantagem competitiva decisiva. Em sua análise, o setor precisa se tornar mais orientado por dados para transformar intenção em venda e demanda em receita.
Ao encerrar a participação, o executivo citou o exemplo do Uruguai para mostrar como a inteligência de mercado pode gerar resultados concretos quando aplicada com foco, segmentação e escolha adequada dos canais. A mensagem final foi direta – mais do que acumular informação, o desafio do turismo agora é usá-la com precisão. “Comecem a pensar mais e a ser mais data-driven”, recomendou Ponti.
No contexto do MarketHub – UNLOCKED, a fala do executivo reforçou um dos principais consensos do evento. Em um setor atravessado por mudanças rápidas, dados de qualidade, leitura estratégica e capacidade de adaptação serão cada vez mais determinantes para transformar tendência em crescimento real.




