A diversificação da oferta turística, a ampliação de mercados emissores e a valorização do capital humano estão no centro da estratégia da Jamaica, segundo Donovan White, diretor de turismo do Jamaica Tourist Board, durante a WTM Latin America, em São Paulo.

White afirmou que, desde 2018, a gestão do turismo no país tem priorizado a resiliência diante de crises, como a pandemia de Covid-19 e eventos climáticos extremos, além de um reposicionamento internacional. Nesse contexto, a América Latina se consolidou como uma das regiões foco nos últimos quatro anos, contribuindo para ampliar a base de visitantes e reduzir a dependência de mercados tradicionais.
Segundo o executivo, a presença mais ativa na região permitiu diversificar a demanda e fortalecer o posicionamento do destino. O fluxo de visitantes latino-americanos já registra crescimento de cerca de 40% neste ano, indicando aumento do interesse pelo país.
Além do tradicional apelo de sol e praia, a Jamaica tem investido na promoção de experiências associadas a interesses específicos dos viajantes. Entre os segmentos destacados estão gastronomia, música, esportes e cultura. White citou a relevância global de artistas como Bob Marley, Shaggy e Sean Paul, além de nomes do esporte como Usain Bolt, como ativos que ampliam portanto a visibilidade internacional do destino.

A estratégia inclui ainda a valorização de elementos culturais mais amplos, como religião, folclore, história e o cotidiano da população, integrados à experiência turística. “As pessoas são o coração do turismo jamaicano”, indicou o executivo ao destacar o papel do capital humano na experiência do visitante.
De acordo com White, esse fator se reflete diretamente na fidelização. Cerca de 42% dos turistas retornam ao destino, sendo a hospitalidade um dos principais motivos para a recompra da viagem.
No campo da recuperação pós-crises, o executivo afirmou que o impacto recente de eventos climáticos foi significativo, mas a resposta coordenada entre governo e setor privado permitiu a reabertura da indústria em um curto intervalo. Atualmente, o país opera próximo de 80% da sua capacidade turística. A expectativa é atingir cerca de 90% até o fim do ano e a plena recuperação no próximo ciclo.
O segmento de cruzeiros também segue em expansão. A Jamaica conta com cinco portos ativos e recebeu mais de 1,4 milhão de passageiros no último ano, com projeção de crescimento para cerca de 1,6 milhão. Representantes do destino participam de negociações com armadoras internacionais para ampliar itinerários e presença no Caribe.
No transporte aéreo, a estratégia tem sido baseada em parcerias com companhias internacionais e no desenvolvimento conjunto de demanda. Nos últimos meses, foram anunciadas novas conexões, como voos a partir de Bogotá e Medellín operados pela Wingo. Além da ampliação de frequências de companhias como Copa Airlines e LATAM. A meta é alcançar dessa forma cerca de 30 frequências semanais entre a Jamaica e a América Latina nos próximos 12 a 18 meses.
Segundo White, o modelo de crescimento adotado busca equilibrar expansão e sustentabilidade da demanda. Atualmente, o país não enfrenta pressões relacionadas ao overtourism.
A combinação entre diversificação de mercados, ampliação da conectividade e valorização da cultura local deve sustentar assim o avanço do turismo jamaicano nos próximos anos, com foco na América Latina como vetor estratégico de crescimento.




