Início Arte e Cultura por Adriana Sorgenicht Teixeira 40 anos sem Vinicius e um encontro a relembrar (I)

40 anos sem Vinicius e um encontro a relembrar (I)

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O ator, diretor, produtor e professor Rubens de Mattos Teixeira é o nosso convidado de hoje. Ele discorrerá sobre sua admiração de longa data pelo Poetinha (como Vinicius de Moraes foi carinhosamente apelidado por Tom Jobim), que nos deixou em 9 de julho de 1980.

Na segunda parte de seu relato, na próxima edição desta coluna, também nos revelará uma situação divertida vivida por ambos no final da década de 50, quando da passagem por Montevidéu, capital paraguaia, da companhia teatral comandada pela atriz Cacilda Becker, que Teixeira integrou na qualidade de ator.

40 anos sem Vinicius e um encontro a relembrar (I)

Poeta multifacetado, carioca da gema, nascido no bairro da Gávea em 1913, Marcus Vinicius de Moraes cursou Direito no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, e Literatura em Oxford (Inglaterra). Ingressou aos 30 anos na carreira diplomática por concurso, tendo servido em Los Angeles, Paris, Montevidéu e Roma.

Começou a escrever seus poemas com sete anos de idade e seu primeiro livro foi publicado quando tinha 19 anos. Aos 22 recebeu o prestigioso prêmio Filipe d’Oliveira pelo livro Forma e Exegese (1935). A publicação é uma reunião de poemas de sua fase metafísica, que já demonstrava a grandeza artística do autor.

Além de poesia, produziu crônicas, peças de teatro, ensaios, letras de música, roteiros para cinema. Sua obra está entre as dos maiores poetas brasileiros. Ao lado de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles.

40 anos sem Vinicius e um encontro a relembrar (I)

Amado pelas mulheres de todas as idades e invejado pelos homens, casou-se nove vezes, viajou pelo mundo, amava o Brasil. Percorreu o país realizando shows para universitários, e os Estados Unidos e Europa com seus parceiros nas artes. Incomodava os conservadores por sua ousadia e ao Itamaraty pelas boemias noturnas nos bares de Ipanema ou Leblon, no Rio de Janeiro.

Em 1964, já durante a ditadura e na condição de cônsul, participou de um show com Dorival Caymmi numa casa noturna de Copacabana. O chanceler Juracy Magalhães não gostou nada quando soube.

Vinicius estava em função oficial e em seguida teve que engolir a reação intempestiva do presidente da República, Costa e Silva: “Ponha-se esse vagabundo para trabalhar!” Livre da carreira diplomática, foi se aproximando de jovens compositores populares, a começar por Tom e João Gilberto.

40 anos sem Vinicius e um encontro a relembrar (I)

Esta nova fase da vida consta do Livro de Letras – Vinicius de Morais, da editora Companhia das Letras, com texto de José Castello e com toda a obra ao lado de seus principais parceiros: Antonio Carlos Jobim, Baden Powell, Carlos Lyra, Toquinho, Edu Lobo, Chico Buarque, Francis Hime, Pixinguinha, Adoniran Barbosa, Ary Barroso, Antônio Maria e dezenas de compositores importantes como Cláudio Santoro, Bacalov, Capiba, Carlinhos Vergueiro, Cyro Monteiro, Ernesto Nazaré, Fagner, Chiquinho Enoé, Haroldo Tapajós, Marília Medalha, Moacir Santos e outros tantos, com uma ou duas composições que não constam desta lista. Gravou 69 discos, entre solos e duplas com cantores famosos. Como compositor, foram mais de 650 obras entre solos e duplas com jovens compositores.

O texto teatral Orfeu da Conceição, de sua autoria (1954), teve montagem de estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. E, mais tarde, foi adaptado para o cinema pelo produtor francês Sacha Gordine.

Vinicius e Tom Jobim alcançaram consagração internacional pelo roteiro musical, posteriormente gravado por Ella Fitzgerald, Nat King Cole, Peggy Lee, Henry Mancini e Sarah Vaughan.

O sucesso foi tão grande com a premiação do filme que o poeta foi convidado a ser delegado do Brasil nos Festivais de Cannes, Berlim, Locarno, Veneza e Punta del Este. Em 1966, tornou-se membro efetivo do Júri Internacional de Cannes.

Em 1967, Frank Sinatra gravou com Tom Jobim um álbum antológico, em que figurava nada menos do que Garota de Ipanema (1962), Insensatez (1961), compostas pela dupla Tom e Vinicius, e Corcovado (1960), só de Tom Jobim.

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