A 38ª edição do Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado será realizada de 12 a 15 de novembro de 2026, em Gramado (RS), reunindo profissionais, empresas, destinos e lideranças da indústria de viagens. Ao longo de quase quatro décadas, o evento, que nasceu com a proposta de promover a cidade e o Rio Grande do Sul, transformou-se em uma das principais plataformas de negócios e geração de oportunidades do turismo na América Latina.

À frente da organização e do desenvolvimento do Festuris estão Marta Rossi e Eduardo Zorzanello. Em 2025, a feira reuniu mais de 17 mil profissionais, 2.500 marcas expositoras e representantes de 64 destinos internacionais, além de gerar aproximadamente R$ 552 milhões em negócios.
Para os organizadores, os resultados demonstram a dimensão alcançada pelo evento e a responsabilidade de continuar oferecendo oportunidades qualificadas ao setor. Entre as prioridades estão a ampliação da presença internacional, os investimentos em tecnologia, o fortalecimento dos segmentos especializados e o estímulo a práticas sustentáveis, sem deixar de valorizar as relações humanas.
Nesta entrevista à Revista Marco Zero – Negócios & Oportunidades em Turismo, Eduardo e Marta analisam a evolução da feira, os desafios para ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional, as oportunidades do segmento de luxo, a sustentabilidade e as perspectivas para o evento e para a indústria turística.
Marco Zero – O Festuris nasceu em 1989 e, ao longo de quase quatro décadas, tornou-se uma plataforma internacional de negócios turísticos. Como vocês avaliam essa evolução e quais características consideram fundamentais para manter a relevância do evento?
Eduardo Zorzanello – O Festuris chega a este momento de sua história com uma trajetória muito consistente e, principalmente, com uma identidade bem definida no mercado. São 38 anos de evolução, acompanhando as transformações do turismo e contribuindo para o desenvolvimento da indústria. O que começou como uma iniciativa para promover Gramado e o Rio Grande do Sul tornou-se uma plataforma internacional de negócios, relacionamento e geração de oportunidades.
A edição de 2025 demonstrou essa força, com mais de 17 mil profissionais, 2.500 marcas expositoras, 64 destinos internacionais e aproximadamente R$ 552 milhões em negócios gerados. Esses resultados mostram a relevância do evento, mas também aumentam nossa responsabilidade diante do mercado.
Nossa estratégia é continuar crescendo de maneira qualificada. Queremos ampliar a presença internacional, atrair compradores com maior potencial de negócios, fortalecer os segmentos especializados e investir em tecnologia e inteligência comercial. O próximo passo não é apenas realizar uma feira maior, mas entregar cada vez mais valor aos participantes. Precisamos ser relevantes antes, durante e depois do evento, criando um ambiente no qual o mercado encontre parceiros, identifique tendências e transforme conexões em resultados concretos.

Marta Rossi – Quando olho para a nossa trajetória, sinto muito orgulho, mas, acima de tudo, gratidão. O evento nasceu de um sonho que compartilhei com minha amiga e sócia Silvia Zorzanello: mostrar o potencial turístico de Gramado e do Rio Grande do Sul e contribuir para o desenvolvimento do turismo brasileiro. Começamos pequenos, com muita coragem, determinação e a convicção de que poderíamos fazer a diferença.
O Festuris cresceu, internacionalizou-se e acompanhou as transformações da indústria. De uma feira de negócios, tornou-se uma plataforma de relacionamento, conhecimento, experiências e geração de oportunidades. Nosso maior diferencial não está apenas nos resultados, mas na essência do evento: a capacidade de aproximar pessoas, criar conexões verdadeiras e construir relações que permanecem depois que a feira termina. Temos uma equipe comprometida, uma relação próxima com nossos parceiros e um olhar atento às necessidades do mercado.
Sempre digo que o Festuris tem alma. É justamente isso que queremos preservar, mesmo diante de todo o crescimento: a capacidade de inovar sem perder a proximidade, a sensibilidade e o cuidado com as pessoas.
Marco Zero – O comportamento dos consumidores e as exigências dos profissionais estão transformando a indústria de viagens. De que maneira o Festuris acompanha essas mudanças e identifica oportunidades para os participantes?
Eduardo Zorzanello – O turismo é uma indústria extremamente dinâmica. O comportamento do consumidor muda, surgem novos modelos de negócios, a tecnologia transforma processos e os destinos precisam se reinventar constantemente. Nesse cenário, antecipar tendências deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade.
No Festuris, trabalhamos com uma visão muito próxima do mercado. Ouvimos expositores, compradores, parceiros e lideranças para entender as demandas e identificar onde estão as novas oportunidades. Essa escuta nos permite desenvolver ambientes segmentados e experiências mais direcionadas para cada perfil de participante.
Temos espaços voltados ao luxo, à inovação, à sustentabilidade, à saúde e ao bem-estar, à diversidade e a outros segmentos que representam movimentos importantes da indústria. Também investimos na qualificação das rodadas de negócios e no uso de ferramentas digitais que aproximam compradores e fornecedores com interesses complementares.
Uma feira de negócios precisa entregar inteligência de mercado. Não basta reunir empresas em um mesmo espaço. É necessário criar condições para que encontrem os parceiros certos, tenham acesso a conhecimento e transformem sua participação em resultados. Nosso compromisso é fazer com que o Festuris seja cada vez mais estratégico para quem participa.
Marco Zero – O Brasil reúne diversidade natural e cultural, mas ainda enfrenta entraves para ampliar sua presença no mercado internacional. Quais são os principais desafios e como a feira contribui para aproximar o país de outros mercados?
Eduardo Zorzanello – O Brasil reúne atributos extraordinários para competir no mercado internacional. Temos diversidade natural, cultural e gastronômica, uma hospitalidade muito característica e uma variedade de experiências que poucos países conseguem oferecer.
Entretanto, ainda precisamos avançar em pontos estruturais, como conectividade aérea, infraestrutura, qualificação profissional, promoção internacional e integração entre os destinos. Também é importante desenvolver produtos turísticos mais competitivos e preparados para atender às expectativas dos diferentes mercados.
O Festuris contribui justamente para aproximar o Brasil do mundo. Ao reunir destinos, companhias aéreas, redes hoteleiras, operadores e compradores internacionais, criamos um ambiente favorável à construção de parcerias comerciais e à apresentação dos nossos produtos turísticos.
Em 2025, tivemos representantes de 64 destinos internacionais, o que demonstra a capacidade do evento de conectar o mercado brasileiro com diferentes regiões do mundo. A promoção internacional também precisa acontecer de maneira integrada. Não podemos olhar apenas para destinos isolados, mas construir experiências que permitam ao visitante conhecer diferentes regiões do Brasil em uma mesma viagem.

Marta Rossi – O Brasil tem muito a oferecer ao mundo, mas precisamos continuar trabalhando para ampliar nossa presença nos mercados internacionais. Temos destinos extraordinários, diversidade cultural, natureza exuberante e, principalmente, um povo que tem na hospitalidade uma de suas grandes características.
O Festuris nasceu justamente com esse olhar de conectar Gramado e o Rio Grande do Sul ao mundo. Desde o início, entendemos que precisávamos criar pontes, aproximar mercados e mostrar que o turismo brasileiro tinha qualidade e capacidade para competir internacionalmente.
Hoje, fazemos isso por meio da presença de destinos, operadoras, redes hoteleiras, companhias aéreas e compradores internacionais. Mais do que reunir países em um mesmo espaço, queremos promover encontros comerciais efetivos. Criamos oportunidades para que as empresas apresentem seus produtos, conheçam novos mercados, estabeleçam parcerias e desenvolvam negócios.
Também acredito muito na força da integração entre os destinos. Precisamos trabalhar de maneira colaborativa, compreender as particularidades de cada mercado e construir produtos turísticos competitivos. O Festuris é uma vitrine, mas também uma ponte. Queremos que o mundo conheça o Brasil em toda a sua diversidade e que nossos empresários tenham cada vez mais oportunidades de atravessar fronteiras.
Marco Zero – O turismo de luxo passou por mudanças importantes, com maior valorização da autenticidade, da privacidade e das experiências personalizadas. Como o Festuris trabalha esse segmento e quais oportunidades identifica para o Brasil?
Eduardo Zorzanello – O turismo de luxo é um dos segmentos que mais exigem especialização, relacionamento e conhecimento de mercado. Esse público busca muito mais do que hospedagem sofisticada. Procura experiências personalizadas, autenticidade, privacidade, qualidade de serviço e acesso a vivências diferenciadas.

O Brasil tem um potencial enorme nesse mercado. Temos hotéis de excelência, resorts, pousadas de charme, destinos de natureza, experiências gastronômicas e uma diversidade cultural que pode conquistar o viajante de alto padrão.
O Festuris percebeu essa oportunidade há dez anos, quando estruturamos o Espaço Luxury. Desde então, ele vem crescendo e se consolidando como um ambiente especializado de relacionamento entre marcas premium, destinos, hotéis e compradores qualificados.
Para 2026, estamos avançando ainda mais nessa proposta, com ampliação da área, novas experiências internacionais, Collections temáticas de cinco países e uma ferramenta tecnológica para tornar os agendamentos mais estratégicos. A chegada inédita do Japão também representa um movimento importante de internacionalização desse segmento.
Nossa visão é que o luxo precisa ser tratado com curadoria, inteligência comercial e conhecimento profundo do perfil do comprador. Queremos que o Espaço Luxury seja um ambiente onde os negócios aconteçam de maneira qualificada e as marcas encontrem oportunidades reais de posicionamento e expansão.
Marta Rossi – O conceito de luxo mudou muito. Durante bastante tempo, esteve associado principalmente à ostentação, à exclusividade material e aos serviços sofisticados. Hoje, percebo que o verdadeiro luxo está cada vez mais relacionado ao tempo, à privacidade, à autenticidade e à possibilidade de viver experiências que tenham significado.
O viajante de alto padrão quer ser surpreendido, mas também quer se sentir acolhido. Busca experiências personalizadas, contato com a natureza, gastronomia de origem, bem-estar, cultura e vivências que permitam conhecer a identidade de um destino. Existe uma valorização muito grande daquilo que é genuíno e que não pode ser simplesmente reproduzido em qualquer lugar.
O Brasil tem um potencial extraordinário nesse segmento, porque reúne biodiversidade, diversidade cultural, hospitalidade, gastronomia e destinos capazes de oferecer experiências muito particulares.
O Festuris acompanha essa evolução por meio do Espaço Luxury, que se consolidou como um ambiente de negócios entre marcas premium, destinos, hotéis e profissionais especializados. Estamos sempre buscando qualificar esse espaço, aproximando fornecedores e compradores com interesses alinhados.
Nosso propósito é antecipar movimentos, abrir portas e proporcionar encontros que se transformem em negócios e experiências memoráveis.
Marco Zero – Quais mercados internacionais merecem maior atenção dos empresários brasileiros? E que destinos e experiências nacionais podem conquistar o viajante estrangeiro, especialmente o público de alto padrão?
Eduardo Zorzanello – O empresário brasileiro precisa olhar para o mercado internacional com uma visão estratégica e diversificada. Não podemos concentrar nossos esforços em poucos mercados. É importante compreender o comportamento de diferentes emissores, identificar oportunidades e desenvolver produtos adequados a cada perfil de viajante.
A América Latina continua sendo uma região de grande importância, especialmente pela proximidade geográfica e pela conectividade. Mercados como Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e Peru oferecem oportunidades relevantes.

Também precisamos fortalecer nossa presença na Europa, com atenção a Portugal, Espanha, Alemanha, França e Reino Unido. São mercados que valorizam experiências culturais, natureza, gastronomia e produtos turísticos diferenciados. Além disso, vejo oportunidades importantes na América do Norte e na Ásia, especialmente no segmento de experiências exclusivas e viagens de maior permanência.
Marta Rossi – O Brasil tem uma diversidade que poucos países conseguem oferecer. Essa é uma das nossas maiores vantagens competitivas no mercado internacional de luxo.
Quando falamos desse segmento, precisamos olhar para além dos destinos tradicionais. Temos experiências extraordinárias na Amazônia, no Pantanal, no litoral brasileiro, na Chapada Diamantina, em Fernando de Noronha e em diferentes regiões que oferecem contato genuíno com a natureza e a cultura local.
Também vejo um potencial enorme no enoturismo da Serra Gaúcha, na gastronomia brasileira, nas experiências de bem-estar, no turismo rural e na hotelaria de charme. São produtos que permitem ao visitante conhecer o Brasil de maneira mais profunda, valorizando a identidade de cada território.
O viajante internacional de alto padrão busca cada vez mais autenticidade. Quer conhecer histórias, experimentar sabores, ter contato com as comunidades e viver momentos que tenham significado.
O grande desafio brasileiro é transformar essa riqueza em produtos estruturados, com qualidade de serviços, conectividade, profissionais preparados e promoção internacional consistente. Temos um patrimônio natural e cultural extraordinário. Precisamos acreditar mais nele, investir em qualificação e compreender que o luxo brasileiro está justamente na nossa capacidade de oferecer experiências únicas, com identidade e hospitalidade.




