Início Arte e Cultura por Adriana Sorgenicht Teixeira Diário da Quarentena (II) – Meu encontro com Tchaikovsky

Diário da Quarentena (II) – Meu encontro com Tchaikovsky

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Fechamos o mês homenageando os 180 anos de Piotr Ilitch Tchaikovsky (07/05/1840-06/11/1893), nascido em São Petersburgo. Compositor clássico russo, assim como Mozart, é um dos poucos aclamados por suas óperas, sinfonias, concertos e obras para piano. A respeito dele, tenho uma experiência pessoal para contar.

Em 1972, aos onze anos de idade, fui levada por minha mãe para assistir a uma produção soviética sobre a vida de Tchaikovsky no Cine Paissandú, na capital paulista (Largo do Paissandu, 60), quando o centro da cidade e os seus cinemas ainda estavam nos seus dias de glória.

Inaugurado em 1957, junto com o Cine Olido, era todo revestido em mármore travertino. Sua sala tinha capacidade para cerca de 2.150 lugares. O hall de entrada exibia um painel, em afresco, de cerca de 15 metros, representando danças típicas brasileiras, como Bumba-Meu-Boi, Candomblé e Fandangos.

Diário da Quarentena (II) – Meu encontro com Tchaikovsky

Mas isso é história que merece ser contada numa outra ocasião. A verdade é que talvez tenha sido a primeira vez que me deslumbrei com um longa-metragem, uma personagem e com a música clássica.

Além, claro, de todo o ambiente do lendário Paissandú. O local naquele dia recebia um grande número de senhoras de origem russa, emocionadas, antes e depois da exibição, com a oportunidade de assistir à biografia de um dos mais proeminentes compositores de todo o universo erudito.

Ainda conservo os ingressos daquele dia, embora não tenha conseguido localizá-lo a tempo de exibi-los aqui.

Diário da Quarentena (II) – Meu encontro com Tchaikovsky

“Tchaikovsky” é um filme de drama de 1970, dirigido e escrito por Igor Talankin. Foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro na edição de 1971, representando a União Soviética.

É a mais completa biografia, filmada nos locais onde realmente aconteceram os fatos. Uma verdadeira obra-prima, perfeita em cada cena, retratando um artista que deixou um legado valiosíssimo para a humanidade com destaque para suas sinfonias, as óperas Eugene Onegin, Rainha de Espadas e Iolanta, a Abertura 1812, além de seus famosos balés O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra-Nozes.

Grande Elenco

O elenco, encabeçado por Innokenti Smoktunovsky, aclamado como o “pai dos atores soviéticos”, contava também com Antonina Shuranova, Kirill Lavrov, Vladislav Strzhelchik, Evgeni Leonov, Bruno Frejndlikh, Alla Demidova, Evgeni Evstigneev, Liliya Yudina, além de Maya Plisetskaya, bailarina, coreógrafa, diretora de ballet e atriz russa, considerada uma das maiores dançarinas de balé do século XX, no papel de Désirée Artôt (uma soprano belga, inicialmente uma mezzosoprano, que ficou famosa na ópera alemã e italiana.

Em 1868, Maya Plisetskaya foi contratada por Tchaikovsky. Ele afirmou que ela era a única mulher que ele já amou, e que pode ter seu nome codificado em obras como o seu Primeiro Concerto para Piano e Romeu e Julieta Fantasia-Overture).

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Tchaikovsky começou a estudar piano aos 5 anos, mas em 1850 a família decidiu que o garoto deveria ser advogado. Cursou direito até 1859, sendo um estudante aplicado, e antes de se formar empregou-se no Ministério da Justiça.

Deixou a carreira jurídica em 1863 para se dedicar exclusivamente à música. Estudou no conservatório de São Petersburgo até 1866, quando foi chamado por Nikolai Rubinstein, irmão de Anton Rubinstein e diretor do conservatório de Moscou, para dar aulas de teoria musical e composição.

Foi professor até 1878 e somente no final de sua carreira seu dois últimos balés foram apreciados pela crítica e público: O Lago dos Cisnes e op. 20. Seu primeiro balé foi encenado pela primeira vez (com algumas omissões) no teatro Bolshoi, em Moscou (1877).

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