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Cientistas pedem em carta aberta o fim do turismo com golfinhos

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Com a iminente reabertura de diversas atrações turísticas após meses de bloqueio por conta da pandemia da Covid-19, preocupa a exploração de milhares de golfinhos que vivem em cativeiro para servir a indústria de entretenimento.

O professor do Instituto de Biociências da Unesp, Mario Rollo, pesquisador referência internacional em comportamento de golfinhos e baleias, é um dos diversos cientistas de várias organizações e universidades do mundo que, junto com a Proteção Animal Mundial, assinaram uma carta aberta que pressiona a indústria de turismo pelo fim da exploração de golfinhos em cativeiro para fins de diversão turística.

Segundo pesquisa da Proteção Animal Mundial, existem mais de 3 mil golfinhos em cativeiro sendo explorados por atrações de turismo no mundo todo, os chamados delfinários.

O uso desses animais para entretenimento arrecada anualmente cerca de 500 milhões de dólares com a venda de ingressos. Infelizmente, essa renda é obtida às custas do sofrimento animal.

Cientistas pedem em carta aberta o fim do turismo com golfinhos

São atrações cruéis, nas quais os golfinhos são usados como pranchas de surf, manipulados, abraçados e fotografados por uma fila interminável de visitantes.

Em carta ao setor turístico, os cientistas mostram que delfinários não conseguem simular o habitat natural desses animais.

“Esses cetáceos, quando em vida livre, viajam até 225 km por dia, atingindo velocidades de, até, 50 km/h, mergulhando de 500 a mil metros de profundidade”, comenta o gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial, João Almeida.

“No cativeiro, os tanques são cerca de 200 mil vezes menor do que a área de vida natural dessas espécies. Os animais ficam 100% do tempo em água clorada e isso gera lesões na pele. Na natureza eles vivem em água salgada, em extensões que superam os 100 km2”, completa Almeida.

Devido ao estresse do cativeiro, os golfinhos apresentam comportamento diferente do comum: nadam em círculos, se chocam contra paredes e grades, apresentam maior agressividade.

A taxa de mortalidade desses animais também é mais alta, uma vez que o bem-estar não é preservado ao serem explorados para o entretenimento.

“Globalmente a Proteção Animal Mundial pede que toda a cadeia do turismo – operadoras e agências – se comprometa a não mais oferecer nem vender ingressos para delfinários. E que adote políticas corporativas responsáveis com a vida silvestre. A exploração comercial de animais silvestres para qualquer fim é extremamente danosa para as espécies, assim como expõe humanos. A atual pandemia da Covid-19 é uma crise de maus-tratos a animais silvestres, que tem como origem a exploração comercial das espécies. Se queremos evitar futuras pandemias, devemos acabar com a exploração comercial desses animais”, finaliza Almeida.

Saiba mais: https://www.worldanimalprotection.org.br/g20 

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