O Brasil marca presença em um dos mais importantes encontros mundiais dedicados ao turismo de aventura. A Embratur participa do Adventure Travel World Summit 2026 (ATWS) que acontece em Québec, no Canadá, até quinta-feira (17). Esta é a maior delegação brasileira já reunida nas 22 edições anteriores.

O evento reúne operadores, destinos, agências de promoção turística, imprensa, lideranças do setor, especialistas e empresas de diferentes países. Ao longo da programação, os participantes discutem tendências, inovação, sustentabilidade e oportunidades de geração de negócios em um segmento cada vez mais associado a experiências autênticas, contato com a natureza e impactos positivos nos territórios visitados.
A participação brasileira acontece através de uma delegação vinculada à vitrine de experiências desenvolvida pela Embratur em parceria com o Sebrae. A iniciativa contempla 100 experiências mapeadas em diferentes regiões do País, além de destinos e empresas que atuam nos diversos biomas brasileiros assim como em nichos do turismo de natureza.
Entre os segmentos representados estão a observação de vida silvestre, incluindo as aves, o ecoturismo e diferentes modalidades de turismo de aventura. Também participam integrantes da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), maior entidade nacional do setor.
Um dos principais objetivos da presença brasileira é ampliar a inserção das experiências nacionais nas prateleiras do mercado internacional e aproximar assim empreendedores brasileiros de operadores especializados. A estratégia busca aproveitar o crescimento de uma demanda turística cada vez mais orientada pela busca de experiências autênticas, conexão com a natureza e geração de impactos positivos nas comunidades e nos destinos.
Integram a delegação as empresas Let’s Go Iguaçu, Vivalá, Nattrip, Amolar Experience, Lajedo dos Beija-Flores, Jungle Tour – Iguana Turismo, Pousada Jardim da Amazônia, Nex DMC e Abismo Anhumas, além da Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (Associação TOVS) e de representantes de destinos da Bahia e de Mato Grosso do Sul.
Experiências brasileiras em destaque
A estratégia do Brasil no ATWS 2026 está alinhada ao tema central desta edição, “Trace”, que propõe ao setor uma reflexão sobre os caminhos percorridos pelas viagens e as marcas que elas deixam nos destinos e nas pessoas.
A partir desse conceito, o Brasil apresenta no evento experiências capazes de deixar marcas positivas nos viajantes e, ao mesmo tempo, estimulá-los a contribuir para a conservação da natureza, a valorização das culturas locais e o fortalecimento das economias dos territórios visitados.
Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, a participação brasileira tem como objetivo apresentar ao mercado internacional a dimensão e a diversidade da oferta nacional de turismo de aventura. “Nosso objetivo é mostrar ao mercado internacional que o Brasil oferece turismo de aventura em escala continental, mas também segurança, conservação ambiental e experiências capazes de gerar conexão real, regenerando os territórios e suas comunidades”, afirma.
Segundo Reis, o plano brasileiro no ATWS também está diretamente relacionado à transformação da biodiversidade em oportunidades concretas para os empreendedores nacionais.
“Nosso foco é converter nossa biodiversidade em oportunidades reais de negócios para os empreendedores brasileiros, provando assim que o turismo de aventura, natureza e de base comunitária são importantes diferenciais competitivos do Brasil no exterior”, destaca.

Segurança como diferencial competitivo
Além da diversidade natural e cultural, a competitividade brasileira no turismo de aventura está relacionada à qualificação, à profissionalização e à segurança das atividades oferecidas aos visitantes.
O Brasil possui mais de 50 normas técnicas específicas para o segmento e, dessa forma se destaca internacionalmente pela sua participação na construção de padrões de segurança adotados pela International Organization for Standardization (ISO).
A experiência brasileira contribuiu para o desenvolvimento de três importantes referências internacionais para o turismo de aventura. A ISO 21101 que é voltada aos sistemas de gestão da segurança; a ISO 21102 que estabelece competências para líderes de turismo de aventura; e a ISO 21103 que trata das informações que devem ser destinadas aos participantes das atividades.
Essas referências foram incorporadas ao sistema ABNT NBR ISO, consolidando assim parâmetros relacionados à gestão segura e responsável das atividades de aventura. O conjunto de normas abrange uma ampla variedade de modalidades, entre elas montanhismo, cicloturismo, escalada, espeleoturismo, canionismo, técnicas verticais, turismo equestre, arvorismo e atividades aquáticas, entre diversas outras.
Atualmente, o País conta com 59 empresas certificadas em turismo de aventura pela ISO 21101, número que está entre os maiores do mundo. O dado reforça nossa posição não apenas como um dos mercados de maior diversidade de experiências de aventura, mas também como referência técnica internacional em segurança, qualificação e gestão do setor.
Sustentabilidade associada à aventura
A agenda de segurança também vem sendo ampliada para incorporar de maneira mais direta os princípios da sustentabilidade. Nesse contexto, a ISO 20611 estabelece boas práticas e recomendações voltadas à sustentabilidade no turismo de aventura.
A norma reforça uma visão de mercado que associa a realização de experiências em ambientes naturais, à conservação ambiental e à valorização das comunidades, gerando assim impactos positivos nos territórios.
Para a Embratur, a combinação desses atributos contribui para ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional de turismo de aventura. A estratégia reúne biodiversidade, multiplicidade cultural, experiências autênticas, segurança e sustentabilidade, características que vêm ganhando mais importância entre os viajantes contemporâneos.
A participação nesta edição do Adventure Travel World Summit, portanto, representa uma oportunidade para o Brasil apresentar sua oferta de turismo de aventura em escala internacional, aproximar empresas e destinos de compradores especializados e transformar a diversidade natural e cultural do país em novas oportunidades de negócios.
Ao levar a maior delegação brasileira da história do evento, o país busca reforçar assim sua posição em um mercado no qual a experiência turística deixa de ser apenas uma atividade de lazer e passa a incorporar valores como conservação, responsabilidade, inclusão das comunidades e desenvolvimento econômico local.




