Durante a apresentação no MarketHub Americas, realizado de 23 a 26 de junho no Hard Rock Hotel & Casino Punta Cana e no Moon Palace The Grand Punta Cana, o Chief Distribution Officer David Amsellem destacou uma mudança acelerada no comportamento de reservas impulsionada pela inteligência artificial. O executivo afirmou que “56% é o número”, ao se referir à participação da IA em determinados processos de decisão e comportamento do consumidor, ressaltando que esse índice representa uma virada significativa em relação a projeções anteriores.

Amsellem observou ainda que “80% deles finalizam o booking no final do problema”, indicando uma alta taxa de conversão quando o processo de decisão é mediado por sistemas baseados em IA. Ele reforçou que, nesse novo cenário, “50% dos bookings são IA. aspectivos hoje” e sugeriu que metade das reservas já sofre influência direta de mecanismos automatizados.
O executivo também chamou atenção para a mudança de referência temporal no setor, ao mencionar que, há pouco tempo, o índice era inferior a 35%. Para ele, essa variação evidencia uma transformação rápida e estrutural no comportamento do mercado. Ele ainda projetou que, até 2030, “30% de todos os bookings serão executivos de IA.”, indo além da função de assistentes e assumindo papéis de decisão.
Erosão do modelo tradicional de decisão
Amsellem destacou que o modelo tradicional de comparação e escolha entre opções está sendo substituído por interações centralizadas em sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, esse processo resulta em uma espécie de colapso do “painel de pesquisa tradicional”, onde múltiplas comparações eram feitas pelo usuário.
Para o executivo, a decisão passa a ocorrer dentro de uma única conversa com a IA, reduzindo intermediários e alterando profundamente a jornada do consumidor.

Ecossistemas naturais e inteligência coletiva
Ao ampliar a discussão, Amsellem recorreu a analogias com sistemas naturais, mencionando o conceito de “Wood Wide Web” e a organização eficiente dos ecossistemas. Ele citou a observação de comunidades naturais e o comportamento interdependente entre espécies. Ele trouxe também referências ao pássaro nativo da República Dominicana, cigua palmera, descrito como parte de sistemas ecológicos organizados por funções específicas.
Nesse contexto, afirmou que cada elemento cumpre um papel dentro de um sistema maior, reforçando a ideia de equilíbrio e cooperação entre agentes distintos.
Teoria dos jogos e estratégias de cooperação
O executivo também trouxe referências à teoria dos jogos, mencionando o modelo de 1950 associado a John Nash, ao explicar situações de escolha estratégica entre dois jogadores sem comunicação direta. Ele explicou a lógica de cooperação e não cooperação como base para decisões racionais em ambientes competitivos.
Amsellem ainda citou a contribuição de Robert Axelrod nos anos 1980, ao estudar estratégias repetidas de interação. Nesse cenário, destacou a estratégia conhecida como “Tit for Tat”. O autor descreve essa abordagem como simples, baseada em cooperação inicial, reciprocidade e correção de comportamento ao longo do tempo.
Segundo ele, esses modelos ajudam a entender dinâmicas de mercado e colaboração entre sistemas complexos.

Ecossistemas, inovação e adaptação
Na parte final da apresentação, Amsellem relacionou essas ideias ao ambiente de negócios e inovação. Ele destacou empresas como a LISA como exemplo de ecossistemas bem-sucedidos, capazes de combinar competição e cooperação de forma sustentável.
Ele reforçou a importância de estratégias baseadas em adaptação contínua, afirmando que o valor está em “aceitar a mudança do paradigma”, destacando que o ecossistema é o elemento central para a evolução das organizações.
Ao encerrar, o executivo reforçou a ideia de colaboração entre participantes do mercado e o papel coletivo na construção de novos modelos de crescimento.




