O avanço da inteligência artificial, a digitalização acelerada dos negócios e a constante transformação das carreiras profissionais vêm redefinindo os rumos da educação em todo o mundo. Em meio a esse cenário de profundas mudanças, o engenheiro civil Ronaldo Cavalheri, CEO do Centro Europeu, consolidou-se como uma das principais lideranças da educação voltada à Economia Criativa no Paraná.

O Centro Europeu é uma escola sediada em Curitiba que acumula mais de 30 anos de história e ultrapassa a marca de 250 mil alunos formados. O executivo lidera o movimento estratégico da instituição, unindo inovação tecnológica, desenvolvimento humano e formação profissional para atender às novas demandas do mercado.
Em entrevista exclusiva à revista Marco Zero, Cavalheri falou sobre o DNA que orienta a trajetória da escola, a aplicação da economia criativa ao turismo, as parcerias corporativas e institucionais que fortalecem a entidade, os desafios de preparar profissionais para um futuro cada vez mais impactado pela tecnologia, entre outros temas.
Com mais de duas décadas de experiência em gestão executiva, passagens pelo Microsoft Innovation Center de Curitiba e pela liderança do Google EducatorsGroup (GEG), além de sua atuação como palestrante, mentor e autor do livro “A IA não vai roubar o seu talento”, ele defende a criatividade, a capacidade estratégica e a aprendizagem contínua como diferenciais essenciais para a construção de carreiras sustentáveis em uma economia marcada pela inovação permanente.

Marco Zero – O Centro Europeu nasceu com uma proposta inovadora de vivências internacionais. Como o DNA europeu da escola influenciou, historicamente, a metodologia de ensino aplicada aos cursos de turismo, hotelaria e hospitalidade no Brasil?
RC – Desde sua fundação, em 1991, o Centro Europeu buscou trazer para o Brasil uma visão de formação profissional inspirada nos modelos europeus, que valorizam a prática, a experiência e a conexão direta com o mercado.
Sempre acreditamos que aprender uma profissão exige muito mais do que teoria. É preciso vivenciar situações reais, desenvolver competências comportamentais, compreender as transformações do mercado e aprender com profissionais que vivem a profissão diariamente.
No turismo e na hotelaria, esse DNA se traduz em uma metodologia focada na aplicação prática, no desenvolvimento da visão global e na formação de profissionais capazes de criar experiências memoráveis para seus clientes. Nosso objetivo sempre foi formar pessoas preparadas para atuar em um mercado cada vez mais internacional, competitivo e orientado pela experiência.
MZ – Sendo um dos primeiros cursos da instituição voltado à formação de agentes de viagens, quais foram as maiores transformações que você observou no perfil dos alunos e do próprio mercado ao longo dos anos?
RC – O perfil do aluno mudou profundamente.No passado, muitos buscavam a profissão para atuar em agências físicas e desempenhar funções operacionais relacionadas à emissão de passagens e reservas. Hoje, encontramos profissionais muito mais empreendedores, que desejam atuar de forma independente, criar suas próprias agências, especializar-se em nichos específicos e construir negócios próprios.
O mercado também evoluiu significativamente. O agente de viagens deixou de ser apenas um intermediador de serviços para se tornar um consultor estratégico de experiências. Em um cenário com excesso de informações disponíveis, cresce o valor do profissional capaz de filtrar opções, personalizar roteiros, oferecer segurança e gerar conveniência para o cliente.
MZ – Com mais de três décadas de história e mais de 250 mil alunos formados, qual você considera ser a principal marca que a instituição deixa na economia criativa do Brasil? Quais são as principais tendências de consumo no turismo mapeadas pela instituição para os próximos anos?
RC – Acredito que a principal contribuição do Centro Europeu foi ajudar a profissionalizar carreiras e transformar talentos em profissões sustentáveis.
Ao longo de todo esse tempo, formamos milhares de alunos e fomos pioneiros na criação de cursos voltados para áreas que hoje fazem parte da Economia Criativa, muitas vezes antecipando tendências e preparando profissionais antes mesmo de determinadas demandas se consolidarem no mercado.
Nossa missão sempre foi mostrar que é possível transformar paixão em profissão e construir uma carreira sólida baseada em conhecimento, criatividade e empreendedorismo.
Em relação ao turismo, observamos um consumidor cada vez mais informado, exigente e em busca de significado. Entre as principais tendências estão o turismo de experiência, viagens personalizadas, turismo regenerativo, bem-estar, gastronomia, turismo de luxo, roteiros autorais e o uso crescente da tecnologia para personalização dos serviços.
MZ – A marca da instituição sempre foi trazer especialistas atuantes no mercado para a sala de aula. Como você avalia o impacto dessa troca direta com profissionais renomados na empregabilidade dos formandos?
RC – Esse é um dos grandes diferenciais do Centro Europeu. Nossos professores não são apenas docentes. São profissionais que atuam diariamente no mercado como empresários, gestores, chefs, agentes de viagens, consultores, hoteleiros e especialistas em suas áreas.
Isso faz com que o aluno tenha contato com desafios reais, tendências atuais, boas práticas e oportunidades concretas da profissão.

Mais do que transmitir conteúdo, esses profissionais atuam como mentores, ajudando o aluno a compreender como o mercado funciona e como construir sua trajetória profissional. Isso reduz significativamente a distância entre formação e empregabilidade, além de ampliar o networking e as oportunidades de inserção no setor.
MZ – A escola possui ex-alunos que se tornaram grandes nomes do turismo e da gastronomia. Como a instituição acompanha o sucesso de seus formandos e usa essas trajetórias para inspirar as novas turmas?
RC – Temos enorme orgulho da trajetória dos nossos ex-alunos. Ao longo da nossa história, acompanhamos profissionais que abriram seus próprios negócios, conquistaram posições de liderança, tornaram-se referências em suas áreas ou construíram carreiras internacionais.
Buscamos manter esse relacionamento por meio de eventos, palestras, projetos especiais, redes sociais e participação em nossas atividades acadêmicas.
Quando um ex-aluno retorna para compartilhar sua história, ele mostra para os atuais estudantes que aquele caminho é possível. Isso gera identificação, inspiração e reforça a ideia de que a transformação profissional é uma construção real e alcançável.
MZ – Sendo você um especialista em inteligência artificial, de que maneira o Centro Europeu tem pesquisado e integrado ferramentas tecnológicas nos processos de planejamento, roteirização e atendimento das agências de turismo?
RC – A inteligência artificial representa uma das maiores transformações já vividas pelo setor de turismo. Nossa visão é que a tecnologia não substituirá os profissionais, mas potencializará aqueles que souberem utilizá-la de forma estratégica.
Estamos estudando e incorporando aplicações relacionadas à pesquisa de destinos, personalização de roteiros, análise de perfis de viajantes, atendimento, produção de conteúdo, tradução, automação de processos e apoio à tomada de decisões.
Ao mesmo tempo, reforçamos uma competência que continuará sendo essencial: a capacidade humana de compreender pessoas, criar conexões e transformar uma viagem em uma experiência memorável. O futuro do turismo não será apenas tecnológico. Será a combinação equilibrada entre tecnologia e relacionamento humano.
MZ – Com a ascensão de nichos como o turismo regenerativo e o bleisure, como a diretoria acadêmica pesquisa e decide criar cursos rápidos e antecipados, a exemplo do “Expert em Passagens Aéreas”?
RC – O Centro Europeu sempre teve como característica antecipar tendências. Mantemos uma observação constante do mercado por meio de especialistas, empresas parceiras, eventos do setor, entidades de classe e do próprio comportamento dos consumidores.
Quando identificamos uma nova demanda profissional ou uma lacuna de formação, buscamos desenvolver cursos rápidos e altamente aplicáveis que permitam ao aluno adquirir competências específicas com agilidade.

Essa flexibilidade faz parte da essência dos cursos livres e nos permite responder rapidamente às transformações do mercado.
MZ – O mercado de turismo exige um olhar global. Quais são as principais parcerias corporativas e institucionais que garantem a vivência prática e o intercâmbio de conhecimentos dos alunos de turismo?
RC – Ao longo da nossa trajetória construímos uma ampla rede de relacionamentos com entidades como ABAV ou com empresas como a BRT. Além de profissionais e organizações ligadas ao turismo, à hospitalidade e aos eventos.
Essas conexões permitem aproximar os alunos da realidade do mercado por meio de palestras, workshops, visitas técnicas, estágios, eventos, estudos de caso e experiências práticas.
Acreditamos que o turismo é uma atividade construída em rede. Por isso, estimular o contato com diferentes atores do setor faz parte da formação profissional.
MZ – Existe algum núcleo de pesquisa ativo na instituição focado em analisar o impacto econômico do turismo na região Sul do Brasil?
RC – O Centro Europeu acompanha continuamente os movimentos do mercado e as transformações que impactam os setores em que atua. Embora nosso foco principal esteja na formação profissional, realizamos um monitoramento constante de tendências, comportamento do consumidor, oportunidades de negócios e demandas do mercado de trabalho.
Buscamos uma visão prática e aplicada do turismo, observando seu impacto na geração de renda, no empreendedorismo, na empregabilidade e no desenvolvimento econômico regional.
MZ – Como funcionam as atuais parcerias internacionais do Centro Europeu para intercâmbio, dupla certificação ou estágios fora do Brasil?
RC – A conexão internacional faz parte da história do Centro Europeu desde sua fundação. Ao longo dos anos, desenvolvemos relações com instituições e organizações internacionais. Como, por exemplo, o Grupo SEG da Suíça para os cursos das áreas de Hotelaria e Gastronomia. Além de dupla certificação eles ainda permitem a continuidade do desenvolvimento profissional dos nossos alunos.
Além disso, buscamos constantemente aproximar os estudantes de referências globais, tendências internacionais e oportunidades que contribuam para uma formação alinhada às exigências de um mercado cada vez mais conectado.
MZ – Como o Centro Europeu tem se posicionado em grandes eventos e feiras do segmento, a exemplo da Expo Turismo Paraná, para promover seus cursos e oxigenar sua grade curricular?
RC – Participar de eventos do setor é uma estratégia fundamental para manter nossa proximidade com o mercado. Esses ambientes permitem acompanhar tendências, identificar novas demandas profissionais, estabelecer parcerias e compreender os desafios enfrentados pelas empresas e profissionais do turismo.
Mais do que divulgar nossos cursos, utilizamos esses eventos como uma importante fonte de inteligência de mercado para atualização constante da nossa grade curricular.
MZ – Na área de economia criativa aplicada ao turismo, como eventos e hospitalidade, quais foram os investimentos recentes em infraestrutura para simular ambientes corporativos reais?
RC – Acreditamos que a melhor forma de aprender uma profissão é vivenciá-la. Por isso, investimos continuamente em metodologias, recursos tecnológicos e ambientes que aproximam o aluno da realidade do mercado.

Nosso foco está em proporcionar experiências de aprendizagem que desenvolvam competências técnicas, comportamentais e empreendedoras. O objetivo é preparar os alunos para atuar com segurança e profissionalismo desde o início da carreira.
MZ – Quais eventos próprios a instituição planeja realizar para conectar o ecossistema de turismo local com grandes marcas globais?
RC – O Centro Europeu tem uma vocação natural para promover encontros entre alunos, profissionais, empresas e especialistas. Nossa intenção é ampliar cada vez mais iniciativas como palestras, workshops, masterclasses, encontros temáticos e eventos de networking. Sempre aproximando o mercado dos futuros profissionais.
Acreditamos que o desenvolvimento do turismo passa também pela construção de conexões relevantes e pela troca constante de conhecimento entre diferentes agentes do setor.
MZ – De que forma as mudanças no comportamento dos viajantes impactaram os workshops e eventos práticos promovidos pela escola?
RC – O comportamento do viajante mudou significativamente nos últimos anos.Hoje existe uma busca muito maior por personalização, autenticidade, conveniência e experiências com significado.
Por isso, nossos workshops e eventos passaram a abordar com mais intensidade alguns temas. Entre eles, experiência do cliente, atendimento consultivo, tecnologia aplicada ao turismo, comportamento do consumidor, diferenciação profissional e criação de roteiros personalizados.
Nosso compromisso é preparar os alunos para atender o viajante atual e antecipar as demandas do viajante do futuro.
MZ – Olhando para o futuro do turismo, quais são as grandes lacunas na qualificação profissional que você enxerga hoje e como a instituição planeja atuar para supri-las nos próximos anos?
RC – A principal lacuna que enxergamos hoje não é apenas técnica. Ela está na capacidade de adaptação.O mercado precisa de profissionais que combinem conhecimento técnico, visão empreendedora, domínio tecnológico e habilidades humanas.
A inteligência artificial, a automação e a transformação digital continuarão avançando, mas competências como comunicação, criatividade, empatia, relacionamento e capacidade de resolver problemas se tornarão ainda mais valiosas.
Nos próximos anos, continuaremos investindo em uma formação que una tecnologia, experiência prática, visão de mercado e desenvolvimento humano.
Foi assim que contribuímos para a formação de milhares de profissionais ao longo dos últimos 35 anos. É assim que pretendemos continuar ajudando a construir o futuro do turismo brasileiro.




