Uma parceria entre a ClickBus, plataforma de venda de passagens rodoviárias, e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) resultaram em uma iniciativa importante para o segmento, que conta agora com o Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), voltado à ampliação da informação sobre o custo das viagens e à qualificação do debate sobre viagens, consumo e inflação no País.

O novo índice acompanha a variação média dos preços das passagens rodoviárias ao longo do tempo, a partir de uma base robusta de dados transacionais captados desde 2017 na própria plataforma da ClickBus. São considerados diferentes tipos de viagem, categorias de serviço, distâncias e regiões do país. Foram analisadas 100 milhões de transações, envolvendo mais de 300 viações e mais de 95 mil rotas mapeadas.
O IRCB ganha relevância ao se observar os números do setor, que atende a 90% da população. O transporte rodoviário de passageiros é o principal meio de conexão entre cidades no Brasil. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e agências estaduais apontam para o transporte de 160 milhões de pessoas nesse modal em 2025, em todas as regiões do País, em deslocamentos de trabalho, educação, saúde e turismo, atingindo 6.200 destinos. O setor emprega cerca de 636 mil trabalhadores.
”Quando o consumidor, o mercado e o investidor sabem como os preços se movem, o mercado fica mais justo para todo mundo”, afirma Phillip Klien, CEO da ClickBus. Para garantir representatividade nacional, a ponderação do índice incorpora também informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE).

Para a composição do índice, são consideradas origem, destino e classe (convencional, executivo, semileito, leito e cama) das viagens adquiridas. A análise mede a variação dos preços no mês de saída da viagem e não da data de compra, conferindo maior precisão ao retrato do mercado. “O IRCB combina uma base ampla e representativa com rigor metodológico. Ele permite análises consistentes sobre o comportamento dos preços no transporte rodoviário de passageiros”, explica Bruno Oliva, presidente da FIPE. A plataforma baseou a construção do índice em microdados transacionais. Sua equipe trata cerca de 62 terabytes de dados com rigor técnico e respeito à confidencialidade das informações.
O IRCB registrou alta de 3,3% em abril de 2026, acima do IPCA de 0,7%, fruto, principalmente, de efeitos sazonais típicos do setor. O diesel subiu 4,5% no mesmo mês, superando a alta das passagens e reforçando a capacidade do setor de absorver custos sem repassá-los integralmente ao passageiro.
Índice comparativo
Na comparação entre abril de 2026 e abril de 2025, o índice de passagens rodoviárias avançou +7,5%, número expressivamente inferior ao registrado pelo diesel (+15,7%), e pelas passagens aéreas (+23,2%). No acumulado de 12 meses até abril último, o indicador apontou alta de 5,9%, o mesmo percentual observado de janeiro a abril deste ano. Enquanto isso, as passagens aéreas registraram elevação de 4,2% e 13,5%, respectivamente.

A análise do Índice revela que a região Centro-Oeste registrou a maior alta nos últimos 12 meses (+8,2%) e o Sul apresentou a menor variação (+2,8%). O resultado evidencia as diferenças regionais de oferta, demanda e regulação. A classe Convencional liderou a variação anual (+6,5%), ao passo que a Cama apresentou a menor alta (+4,9%). Os números refletem dinâmicas distintas de demanda, sazonalidade e perfil de passageiro.
Levando em conta a distância, as viagens curtas (até 100 km) aumentaram +8,5% e as de longa distância (acima de 400 km) cresceram 5,2%. Já o segmento intermunicipal subiu 5,8% e o interestadual, 6,1%, no mesmo período.
Desde dezembro de 2017 (quando o IRCB parte do indicador base 100) até abril de 2026, o preço das passagens rodoviárias acumulou alta de 60,5%. No mesmo período, a renda média do trabalho (PNAD Contínua/IBGE) avançou 77,6%. Em relação ao diesel, a alta acumulada no período atingiu 119,4%, demonstrando que setor absorveu grande parte dos custos sem repassá-lo integralmente ao passageiro.

Klien reforça, ainda, a evolução dos serviços oferecidos ao passageiro, que coloca, mais do que nunca, o transporte rodoviário como uma opção bastante viável em comparação a outros formatos de viagens. “Em quase uma década, a viagem de ônibus no Brasil se transformou. Frota renovada, Wi-Fi a bordo, leitos-cama, novas categorias de conforto, venda 100% digital. Mas essa evolução não foi cobrada do consumidor. As tarifas acompanharam a inflação, enquanto a qualidade da viagem deu um salto. O brasileiro está pagando praticamente o mesmo por um produto incomparavelmente melhor. Isso diz muito sobre a resiliência do setor rodoviário e sobre como ele absorveu o custo da sua própria transformação”, finaliza.




