Liberdade ou solidão? Para um número cada vez maior de mulheres, viajar sozinha está, sim, associado à autonomia. O relatório “Female Travel: Data Reports 2026”, da plataforma WifiTalents, aponta que 84% dos viajantes solo no mundo são mulheres. O movimento cresce de forma global e impacta não só destinos e empresas do setor como também as estratégias do poder público. Como incentivo ao segmento, o Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), lançou no ano passado uma campanha que concede 15% de desconto em hospedagens para mulheres que viajam sozinhas. A iniciativa, válida até o fim deste mês de março, busca estimular o turismo solo feminino com mais segurança, conforto e economia.

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Para Thais Medina, especialista em marketing para o turismo, este cenário deve ser tratado como prioridade no planejamento estratégico dos destinos. “O turismo solo feminino deixou de ser um comportamento pontual e passou a influenciar decisões de produto, comunicação e gestão. Destinos que entendem essa tendência e oferecem soluções saem na frente”, afirma.
A preparação do destino começa antes mesmo de a viagem começar, nos canais de informação. Sites oficiais e portais institucionais devem concentrar dados objetivos sobre mobilidade, contatos de emergência, localização de serviços públicos e funcionamento de atrativos, assim como dicas de locais que devem ser evitados em determinados horários. Na hotelaria, ajustes operacionais fazem diferença: procedimentos de check-in mais reservados, canais diretos de atendimento e equipes treinadas para lidar com agilidade em possíveis situações de constrangimento integram medidas que fortalecem a confiança da hóspede.
“Outra sugestão é fazer parcerias com empresas de transporte regulamentadas e transfers para aumentar a sensação de segurança”, sugere Thais, que tem mais dicas: restaurantes, por exemplo, podem facilitar reservas para uma pessoa e organizar espaços que não isolem quem está sozinha e guias e receptivos locais podem criar roteiros com opções de experiências individuais e em pequenos grupos, unindo essas mulheres que viajam apenas com suas bagagens.
Ainda falando de mobilidade, empresas aéreas, rodoviárias e aplicativos devem reforçar políticas de segurança, comunicação acessível e canais de denúncia. E o poder público também não deve ficar fora desta: secretarias municipais e estaduais de Turismo podem desenvolver campanhas educativas voltadas à hospitalidade e ao respeito ao público feminino.
Thais destaca que a preparação envolve integração entre os setores. “Não é uma ação isolada da hotelaria ou do poder público. É um trabalho conjunto que envolve transporte, atrativos, gastronomia e comunicação institucional”, explica.

Comunicação
No campo do marketing, o desafio vai além da mera divulgação de atrativos. Para Thais Medina, comunicar é parte da própria experiência da viajante. “Não basta fazer, tem de contar que faz. Se o destino não comunica essas medidas para o público, ele perde a oportunidade de gerar confiança na tomada de decisão e antes mesmo da viagem”, alerta.
A especialista indica recorrer a dados, depoimentos reais e detalhamento de serviços. “Use o site oficial ou suas redes para dar informações claras e produzir conteúdos explicativos. Lembre-se que o seu perfil é cada vez mais o principal ponto de contato para tirar dúvidas. Então, nada de deixar ninguém sem resposta”, sugere.




