A manhã de apresentação da ABAV Travel SP 2026 no dia 11, quarta-feira, foi mais do que o anúncio de datas e local. Foi uma demonstração clara de alinhamento entre a Associação de Agentes de Viagem do Estado de São Paulo (ABAV-SP | Aviesp) e a Secretaria Municipal de Turismo. No centro da mesa, Bruno Waltrick e Rui Alves dividiram não apenas a mesa, mas uma estratégia comum: fortalecer a feira, valorizar o agente de viagens e posicionar São Paulo como destino múltiplo, competitivo e culturalmente atraente.

A ABAV Travel SP acontece nos dias 11 e 12 de março de 2026, das 14h às 19h, no Royal Palm Hall em Campinas, e chega respaldada por um discurso consistente de continuidade, inovação e expansão.
A força da continuidade e da unificação
Reeleito para mais dois anos, Bruno Waltrick conduz a entidade com o discurso de quem entende o associativismo por dentro. Antes de assumir a presidência, já integrava a diretoria, acompanhando de perto o processo de unificação das associações que deu origem ao modelo atual da ABAV-SP | Aviesp.
A consolidação da união foi determinante para ampliar a capilaridade da entidade em todo o estado, deixando de concentrar esforços apenas na capital. A antiga feira da Aviesp foi incorporada ao novo formato estadual, criando uma identidade única, voltada para todo o território paulista, da capital ao litoral e interior.
Waltrick sustenta que o maior patrimônio da associação é o associado. A lógica é simples e direta: sem associado não há associação. Todas as decisões, projetos e investimentos partem desse princípio. A presidência, segundo ele, é um papel de representação coletiva, com o compromisso de pensar como agência, como empresário e como parte do mercado.
Esse posicionamento se reflete na construção da feira. A ABAV Travel SP não é apenas um evento expositivo, mas uma plataforma de capacitação, relacionamento e geração de negócios.
O agente paulista diante do mundo
Ao visitar feiras internacionais, como a última WTM em Londres, Waltrick ampliou o olhar sobre o comportamento do mercado global. O que mais chama atenção é o nível de organização tecnológica e a cultura de agendamento prévio de reuniões.
No exterior, profissionais chegam às feiras com agendas fechadas, reuniões estruturadas e foco direto em conversão de negócios. No Brasil, especialmente em São Paulo, o relacionamento ainda é mais espontâneo, baseado na troca informal e na construção de networking ao longo do evento.
Não se trata de certo ou errado, mas de perfis culturais distintos. A diretoria entende que é possível preservar a característica relacional do brasileiro e, ao mesmo tempo, incorporar ferramentas tecnológicas que ampliem a produtividade.
Por isso, a ABAV-SP mantém um comitê de tecnologia ativo, que leva para as feiras debates sobre inteligência artificial, inovação e ferramentas digitais aplicáveis ao cotidiano das agências. A ideia é traduzir tendências globais para a realidade prática do agente paulista.
Expositor protagonista e relacionamento inteligente
Outro ponto central da coletiva foi o papel do expositor dentro de uma feira cada vez mais dinâmica. O tempo é curto, a atenção é disputada e a estratégia precisa começar antes da abertura dos portões.
A recomendação é clara: usar redes sociais, divulgar presença com antecedência, agendar encontros e transformar o estande em ponto de conexão previamente anunciado. A comunicação antecipada fortalece o fluxo qualificado e aumenta a efetividade da participação.
A feira deixa de ser apenas um espaço físico e passa a ser uma extensão de uma estratégia digital iniciada semanas antes.
São Paulo como destino plural e estruturado
Do lado da gestão pública, Rui Alves trouxe à mesa a dimensão macro do turismo na capital. São Paulo é palco de grandes eventos, recebe investimentos internacionais e movimenta cifras bilionárias em diferentes segmentos.
Fórmula 1 e Carnaval são exemplos claros de impacto econômico expressivo, mas o secretário defende que o turismo da cidade vai além dos megaeventos. Ele destaca a necessidade de ampliar infraestrutura, preparar novos espaços para grandes espetáculos e organizar a cidade para atender uma demanda crescente.
A prefeitura se mantém aberta a investidores e trabalha para estruturar arenas e equipamentos capazes de receber públicos ainda maiores, fortalecendo o calendário de eventos.
Vai de Roteiro e a democratização do acesso
Entre as estratégias de valorização do destino, o programa Vai de Roteiro surge como instrumento de democratização do turismo local. Criado para oferecer passeios guiados e gratuitos, o projeto tem sido expandido com base em análise de resultados e desempenho.
A ampliação do programa inclui novos territórios, como Paraisópolis, e a proposta de integrar comunidades, equipamentos culturais e bairros que muitas vezes passam despercebidos pelo próprio morador da capital.
Há também o interesse em estruturar roteiros voltados aos teatros municipais e espaços culturais sob gestão da prefeitura, promovendo a cena artística como produto turístico estruturado.
A lógica é simples: mostrar São Paulo para quem mora em São Paulo e para quem vem de fora.
Criatividade que gera impacto
Se a ABAV Trave lSP é vitrine, o destino São Paulo quer ser memorável. Rui Alves defende que estande não pode ser apenas presença institucional. É preciso criar experiência.
Em uma feira internacional, a prefeitura levou um carro de Fórmula 1 para a entrada do espaço paulista. A ação chamou atenção, gerou fluxo e reforçou a identidade da cidade como palco de grandes eventos. O investimento maior trouxe retorno proporcional.
Para a próxima edição da ABAV Travel SP, a promessa é surpreender novamente, com ativações pensadas para gerar impacto e diferenciação.
União que fortalece o mercado
A coletiva deixou evidente que entidade e poder público caminham em sintonia. A ABAV Travel SP 2026 nasce desse diálogo estruturado entre associativismo, inovação e política pública.
De um lado, a associação focada em capacitar, fortalecer e ampliar resultados para o agente de viagens. De outro, a prefeitura comprometida em promover a cidade como destino plural, cultural e economicamente potente.




